10.11.19

Escócia e as Papoulas Vermelhas

Em várias lapelas se vêem papoulas vermelhas, quer em jornalistas a apresentar o jornal da noite, quer em atores a receber os BAFTA Scotland.

Vi várias em Glasgow

São uma homenagem às vítimas da guerra.

Este artigo explica tudo. Inclusive a diferença entre as papoulas britânicas e as escocesas em particular.

All poppies in Scotland are made by veterans with disabilities in a factory in Edinburgh.

9.11.19

Glasgow e Eddie

Quando vinha de Inverness para Edimburgo, um moço escocês, pai de dois rapazes, homem de família, sentou-se ao meu lado no busão.

Falámos um bom bocado e uma das perguntas que lhe fiz foi porque era Edimburgo a capital e não Glasgow, que é muito maior. 

Ele falou não sei se numa regra, recomendação, lei, que nada poderia elevar-se acima do Castelo de Edimburgo e ofuscá-lo. 

Glasgow é de facto diferente.

Embora mantenha edifícios antiquíssimos e igualmente lindos, tem prédios altos. As pessoas são apressadas como em qualquer capital. E como não o são em Eddie.

Tem metro. Embora parece de bonecas, para hobbits. É mínimo e muito baixinho.

Tem uma universidade antiquíssima, também ela palco de algumas cenas de Outlander. Linda... Que sonho, estudar ali...


Com o Kevingrove Park ali ao lado... 

Mas Glasgow merece um texto só 


E a capital da Escócia está muito bem entregue a Edimburgo.

Lallybroch

Lallybroch...  Feels like home... Mágico

Como chegar a casa. Muito emocionante rever os cenários na cabeça e estar ali, no espaço de tanta emoção. O meu lugar preferido da Outlander Tour, com a Edinburgh Black Cab Tours. O mais excitante, pelo menos. O mais emocionante foi o do fantasma do Jamie...   

E rever é viver. É muito emocionante ver daqui a emoção sentida lá. E ver a série e saber que já lá estivemos. O que é real e existe de verdade e o que é magia do cinema e da TV. Ainda mais mágico. Saber que também pisámos aquele chão, o mesmo onde Jamie quase caiu, depois da barbaridade cometida por Black Jack Randall nas suas costas.  

Thrilling, I would say... Só faltou mesmo tropeçar no Sam Heughan em West End... 

And me, waiting for Jamie...

4.11.19

Inverness e Terras Altas

A viagem de comboio de Edimburgo até Inverness, três horas e meia, onde vim quase exclusivamente para ir ao campo de batalha de Culloden, é um deleite para a vista.

Meu Deus, como as Terras Altas são lindas...

Vim o tempo todo a ler. Esperei o dia 22 de outubro para começar The Voyager (em papel), o terceiro de Outlander. O bom da série é que só precisamos de levar um livro. Pequeno mas compacto. E pesadinho. 1000 e tal páginas dão conta de uma viagenzinha de 10 dias.

Devo ter lido umas 400...

Mas, de vez em quando, o olhar escapava-me para a janela e acho que até falava alto. De uma beleza... Na Escócia, até a natureza é organizada. Não havia uma folha fora do lugar. Apesar de as haver por todo o lado, o Outono na Escócia é dos mais bonitos do mundo, de certeza. Um silêncio, uma paz quase beatífica.

Divina mesmo, eu diria.

A neve no topo das montanhas é como a cereja no topo do bolo. Igualmente inatingível. 
E, claro, ovelhas em todo o lado. Três para cada escocês, como não nos cansamos de lembrar.

O cottage cheese deles é uma merda, though... Tenho-me regalado com requeijão de Seia, morangos e mel. A minha fronte de proteína e vitaminas matinal. 

A sensação de paz que me invadiu depois de Culloden vai além de tudo. Como se não tivesse corpo. Uma leveza tal que quase poderia voar... 

Inverness é antiga, como é Edimburgo, apesar da parte nova desta. Um encanto. 
Aqui do alto do castelo de Inverness, com o rio Ness aos meus pés, onde me sentei um bocadinho, parece até que as costas deixaram de doer.

Os Fraser estão em todo o lado e too much of good whiskey is barely enough...

Leoch

Castle Leoch, também conhecido como os domínios do clã MacKenzie. 
Aqui foram filmadas várias cenas. A de Claire, no que parecia o topo de umas escadas, acabadinha de chegar. Antes do primeiro encontro com Jamie, nos estábulos onde lhe leva o almoço; As cenas de chegada de todos, onde encontram Mrs Fitzz e, no mesmo átrio, onde Dougal treina as artes da espada com o “sobrinho”; 

e a cozinha de Mrs Fitzz, onde Claire vai buscar coisas para cuidar da ferida de Jamie. E onde Mrs Fitzz lhe oferece uma taça de parrrrrridge e Claire, de forma educada mas não conseguindo deixar de evitar um esgar de nojo, declina.

O melhor desta localização, onde também foi filmado Monty Python and the Holy Grail, é que se optarmos pela versão áudio da visita, o Sam Heughan, Jamie Fraser, para os hereges, fala das partes do castelo usadas em Outlander. E conta algumas curiosidades sobre como as coisas acontecem. E o que foi preciso trazer para tornar tudo o mais realista possível, tipo quilos e quilos de lama... 

Também nos fala sobre a experiência de aprender gaélico. 

Foram as libras melhor gastas da minha vida. Parece que o Jamie está a falar-nos ao ouvido. Com aquela voz, fazendo as pausas certas, nos momentos oportunos, como se nos contasse uma história e a voz dele nos fizesse viajar para lá. Êxtase absoluto... O dinheiro angariado pelas visitas é usado para a recuperação do castelo, cujo pátio está cheio de andaimes. 

Os jardins em volta, imensos, bem cuidados, são uma brisa de ar fresco direto na alma.

3.11.19

Parques

Uma das poucas vantagens dos países em que chove dez meses por ano, como é o caso da Escócia, tive uma sorte que nem acredito, é serem muito verdes. As cidades são parques imensos.

Tudo é verde. Em todo o lado. E em todas as planícies verdes, há ovelhas a pastar. Três para cada escocês, dizem.  
Em Eddie há os Queen Gardens, enormes.
Em Glasgow há o Kelvingrove Park, junto à universidade. Passeei lá horas. No outono, particularmente bonito.

Temo que, afinal, quem tem os outonos mais bonitos é a Escócia, e não os EUA... e este parque é um pequeno paraíso na terra... enorme, ao lado da universidade de Glasgow, também ele uma Outlander location, que descobri por mero acaso. E me hipnotizou o suficiente para entrar e por lá deambular um bom bocado, encantada com as cores do outono e a poesia de uma ou outra folha a cair, quase a pairar, na verdade. E nada preocupada em me perder...


Glasgow também tem água. E muita. Adoro cidades com água...

E até estas são civilizadas.

Tudo arranjadinho, por tamanhos, cores e tipos.

Viajar pela Escócia, de combóio, autocarro ou carro, é um deleite para os olhos e um banho de poesia. Só natureza, o tempo todo. Qualquer viagem que se faça, estrada ou caminhos de ferro, é isto.


E é tão bonito...

Em toda a Escócia, onde pode haver um bocado verde, há uma árvore, ou só relva, plantada.

Toda a vista do castelo que fez as vezes de Wentworth Prison em Outlander dava um texto só... É até onde a vista alcança e é incansável... 

Kelvingrove Park é onde Claire empurra Bree no carrinho, atravessando uma ponte e passando por um escocês que toca gaita de foles.

Falkland - Inverness, em Outlander.

O que supostamente foi filmado em Inverness, foi, na verdade, filmado numa cidadezinha chamada Falkland. 
A pousada onde a Claire e o Frank ficaram. 
E onde o frank viu o fantasma do Jamie. 
O dia 31 de outubro para 1 de novembro era a passagem do ano celta. Samhain uma celebração da natureza. Seguir os seus ciclos, e não os do capitalismo. Faz tanto sentido e é tão bonito... 

Provavelmente a maior expectativa em relação à série, livros incluídos. A explicação para o fantasma de Jamie no século 20. Diana já a deu, parece. Oficialmente, só no último livro.  Escreve ela:

Faz sentido e é bonito... Como boa INFP, sonhadora e idealista, identifico-me completamente. E não tem nada que ver com príncipes montados em cavalos brancos. 

Na série, aparece um desenho de Jamie como procurado nas costas do detetive escocês com quem Frank fala. Mas Jamie aparece como Dunbonnet, uma das suas muitas identidades. Cabelo e barba compridos, a esconderem o rosto, e boina azul. Lindo...

E, enquanto Ghost, como Mr. MacTavish, ainda, tão novinho... E só se vê de costas. Frank não tinha como o retratar. Não me lembro de qualquer referência a isso no livro. Mas também não me lembrava deste pormenor importantíssimo da data e do desenrolar dos acontecimentos. Claire ser inconscientemente atraída para a pedra para encontrar o seu amor para a eternidade. 

Hopeless romantic, bem sei. Lindo, anyway...
E a loja onde a Claire viu a jarra azull

Fort William

I thank ye to take your hands off my wife... 
Esta foi a janela por onde o Jamie entrou para salvar a Claire do Randall. Anos mais tarde, Bree e Roger voltam lá. Onde a Bree sente que o espaço lhe dá arrepios, Jamie havia sido açoitado ali também, o que aliás acabou por matar o pai dele de sofrimento e desgosto. O chão, como se vê, é irregular e o material de câmara delicado. Tentaram nivelar o chão de todas as formas, mas foi impossível. Ele foi chicoteado em Lallybroch e levado para Fort William.

Edimburgo

Uma das maravilhas de viajar pela Europa, pelo menos a que não foi destruída pelas guerras, é o estar constantemente a olhar para cima.

E também para o lado, as lojas de rua, com as suas portas originais, cada uma de sua cor, e, por cima, o nome e respetivo lettering, poético, pessoal e intransmissível. Mantendo a traça original, na Velha Edimburgo inteira. Bares incluídos. Noutras partes da cidade tambémAlgumas ainda com os característicos cestos de flores pendurados, o efeito é lindo. 

É como se viajássemos para outro tempo.
Pertencêssemos a ele. E pertencemos... Como se fosse na nossa casa.

A modernidade é boa mas só uma parte. A da internet, das apps, que me têm salvado a vida. E em alguns edifícios.

Nas cidades, como nas pessoas, não adianta de muito tentar destruir, apagar, esquecer, negar a História. Faz parte de nós. De quem somos. Gostemos ou não.

Sinto-me muito privilegiada por ter nascido numa cidade dessas. Ter feito as pazes com a minha ancestralidade. No caso da Escócia, reencontrei-me com ela. E por poder viajar aqui. Estou mesmo muito contente por ter voltado à Europa.

De onde não saio tão cedo.
Nada paga a segurança, que as pessoas tomam por garantida...

E mesmo com edifícios escuros. Edimburgo é linda, linda.




Universidades

Harvard, em Glasgow. A universidade é linda, em todos os seus pólos antigos. Um encanto. 
Vemos Bree e Frank, em momentos diferentes.
E a universidade onde Bree encontra Geillis, em Stirling.
Que descobri por acaso, num dia em que me perdi. E fui parar a mais um parque incrível. Os parques merecem-me um texto só, a eles inteiramente dedicado. Embora tudo o que se escreva sobre os parques na Escócia seja pouco.