4.8.15

Off the Beaten Track: Cortona, a Basílica.

Ao contrário de Santa Maria Novella, em que havia mensagens automáticas para mandar o povo calar a boca, em italiano e em inglês, quando os sensores detetavam barulho acima dos decibéis permitido, com direito a shhhhh e tudo, na Catedral de Cortona não há ninguém. O barulho de disparo de foto do iphone chega a fazer eco e dá até vontade de assistir a uma missa aqui. Não há milagre maior do que este, mamãe choraria de comoção. 


Itália fez-me fazer as pazes com a minha fé irracional e ilógica, característica do masculino que tanto aprecio e que tantas e tantas vezes me fazem desprezar tudo o que sai fora do intelecto.
O meu templo de paz, de reconexão comigo mesma e com o universo, sempre foi a natureza, e sempre há de ser. O poder avassalador e inquestionável de todas as suas manifestações, a minha pequenez perante uma força maior, a maior e mais permanente de todas, sempre me devolveu a humildade e a força de que preciso para sobreviver. é nela que sinto a presença de Deus e a vida foi-me afastando das igrejas e principalmente dos padres, pela forma como comunicam a suposta palavra de Deus e pela manipulação a que sujeitam os seus fieis. Mas não de Deus, o das Conversas, não o tirano que é retratado na grande maioria das igrejas. 

Estou sentada nos primeiros bancos da igreja a escrever e mais uma vez me emociono ao falar em fé. Choro copiosamente sem sequer procurar entender, apenas deixo sair. Mais uma vez, por conta da sensação é de pertença, de companhia, de não estar sozinha, nunca ter estado, aliás... Faço as pazes definitivas com Ele. Grazie Dio per essere sempre presente. 

Em Santa Maria Novella acendi uma vela para o Joãozinho. Em Cortona, uma por todos nós. Queria que acendesse no meio, que é onde está a virtude, mas é automático, acendeu no lado esquerdo. Deus sabe certamente o que faz.
Quando estou pronta, saio lá para fora. Onde o ar é puro e a paz da natureza impera. 
O silêncio é de ouro...








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