5.8.15

Cinque Terre: O Mediterrâneo é lindo

Por um motivo nobilíssimo, saio da região que escolhi para primeiro contacto com Itália, numa escapadela de um dia à Ligúria, a região costeira que fica exatamente por cima da Toscana e cuja capital é Génova, que disputa com Marselha, em França, o maior porto marítimo do Mediterrâneo, para conhecer 4 das Cinque Terre, declaradas património mundial pela UNESCO. Acrescento que para ir à 5ª teria de subir cerca de duas centenas e meia de degraus e estava um calor que não se aguentava. 

Como só tinha um dia, estava sozinha e tinha a sensação de que se não o fizesse, me iria arrepender amargamente, por ter um feeling que era desta vez ou não seria mais vez nenhuma, resolvo alinhar numa tour organizada, com direito a autocarro e a guia com chapéu de chuva. Eu e um monte de americanos irritantes. Foi a segunda vez que o fiz na vida, a primeira tinha sido no Rio, só tinha um dia, era a minha primeira vez na cidade maravilhosa e estava com os meus pais. Foi ótimo, fomos onde tínhamos de ir, Corcovado e Cristo Redentor, passámos pelo Maraca, pelo sambódromo e já não me lembro mais por onde, foi há mais de dez anos. Não é o meu tipo de viagem. Primeiro, porque se paga e caro e tenho a sensação que quase nunca vale a pena, segundo porque os guias só sabem o que está escrito no roteiro, alguma pergunta fora da caixa, mas relacionada com o lugar, não sabem responder, e isto, por algum motivo, irrita-me, terceiro, porque normalmente é uma correria desatada, sem tempo para nada, e eu sinto-me sempre uma ovelha naquele maralhal, o contacto com o grupo dá-me logo alergia, por isso me afasto sempre um bocado, irrita-me ter de seguir ao ritmo dos outros, a mecanização dos passos, que nunca são iguais..., quarto porque só se vê o básico, não dá para fugir. E todos estes já são motivos suficientes. Mas, quando só se tem um dia, é o melhor que há a fazer. Se gostarmos, voltamos depois com calma. 

Constato que o único momento em que se está bem na rua em Florença é por volta das sete da manhã, momento em que a temperatura é bem agradável. Às 9 já faz um calor de derreter miolos...

Bem antes da hora combinada, já estou na estação central de comboios, para me encontrar com a guia Francesca, uma querida, e os restantes turistas.

A pessoa leva dois livros para ler na viagem inteira, lê um, deixa-o lá, compra mais dois, um deles na estação de trem de Florença enquanto espera para se escapar da Toscana e dar um saltinho ao Mediterrâneo, desta vez não foi no aeroporto, e volta para Lisboa com três...

Instalo-me finalmente e vou ouvindo as explicações. Passamos Pisa e Luca, onde não tenciono ir, observamos as montanhas pejadas de mármore, parece neve, que fazem da região uma das mais ricas de Itália, e chegamos à costa, que é deslumbrante... Como vou na janela virada para o verde, perco a vista privilegiada para o mar sem fim, por isso a ausência de fotos, que acabam por nunca expressar o que vemos exatamente, pela sua incapacidade técnica de captar as cores e o brilho exatamente como são. É o que temos... O impacto que o mar sem fim tem em mim não cessa nunca, nunca, de me surpreender. Principalmente depois de não o ver por um bom tempo. 

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