24.7.13

Tirando o chapéu

Pela primeira vez, espero que seja a última, tiro o chapéu a alguém à esquerda do PSD. Ao Costa. Juro, aquilo atrás do Júlio de Matos parece a América. Tudo impecável, estradas e estradas boas, sem um desnível sequer, semáforos e rotundas, verde nos intervalos, com regadores automáticos de relva incluídos. Alta de Lisboa, brindam-nos umas letras plantadas numa das rotundas verdes, ou no início de uma área verde, não deu pra ver bem. 

Para quem conhece as obras de Santa Engrácia que aquilo era há anos sem fim entende. Mais ainda se considerarmos quem vê aquilo assim de repente. E, melhor de tudo, vazio. Sem vivalma, carros, gente, nada. Se fosse no Brasil havia um bando de neguinho a tomar banho.

Vi dois manfios no meio a estrada se estivesse em Sampa não parava, foi o que fiz. Pensei que sei lá. Só queriam atravessar a estrada, que estava tão vazia que se podia ficar no traço contínuo. Para alguém que vem de uma cidade de quase 11 milhões de habitantes, com uma frota de veículos na cidade que já chegou aos 7 milhões, o vazio e o silêncio de Lisboa são ainda mais impressionantes. 

E as escadas da Bica estão novas em folha, bem como as dos bairros em redor. Passeios arranjados e o que parece mármore, mas se calhar não é, rosa e luzidio nos debruados dos degraus. O melhor de ser emigra é redescobrir a cidade. O Tejo que surge azul de repente no meio dos prédios, as senhoras desnudas e gordas a coser numa máquina na Mouraria, com fado a sair dos candeeiros e uma iluminação nova.  

Parabéns Costa, resta saber quanto tudo isso já custou, com um passivo da Câmara que parece eterno, dado como adquirido, que se lixe, vamos continuar a fazer coisas e quando não der mais, olha... Ainda assim, vê-se qualquer coisa. Espero que não seja mais um Isaltino ou uma Fátinha. Parabéns. 

Sem comentários:

Publicar um comentário