12.5.13

Obrigação x Prazer


Hoje é dia das mães no Brasil, isso, dia de todas as mães, não só da nossa. A Silvia lembrou-se de convidar as sogras, os filhos, a nora e o genro, e talvez o irmão do genro, para almoçar cá em casa. Não contente, convidou também uma amiga chilena para conversar com a mãe do genro, que também é chilena. Está lá em baixo numa azáfama que só vistos, tressada que a comida não chegue, como boa latina. Estava a fazer café e, com o mau humor matinal que tão bem me caracteriza, disse: pô, é dia das mães, mas você que 'tá tendo esse trabalhão todo. Respondeu-me que isso gosta de fazer, não tem a menor paciência é pra conversar. Depois de fazer tudo, ia até almoçar fora. É a grande diferença entre fazer por prazer - prefere a decoração da mesa, quando lhe perguntei se ia usar a louça da Rainha de Inglaterra - e fazer por obrigação. Quem faz por prazer não reclama. 

Fico meio assim de me enfiar ali, no meio da família alheia - só agora soube que essa amiga chilena, que fala mais que a boca, olha que duas..., viria - enquanto ainda por cima todos se tentam impressionar. É a primeira vez que se trombam todos juntos, família, sacumé, se bem que aqui é tudo muito solto, sem muita frescura. Mas educado, é por isso que os paulistanos são os meus brasileiros preferidos, os mais parecidos com os europeus, com a vantagem de serem brasileiros. E não me apetece nada, mas de repente ocorreu-me que a Silvia me poderia usar nesse particular, e eu toda preocupada em não a atropelar e em deixá-la lá com os dela, sem me meter. É boa...

Tudo isto para dizer que é o sentido de obrigação que nos deixa amargos...

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