12.3.13

Da Rodoviária direto pra balada

- De qual cerveja tu gostas mais?
- Ah, minha querida, mas que raio de pergunta é essa? Todas!

307km (já vamos em 778km só de busão) e 5 horas depois, chego a Aracaju, onde a minha querida amiga Dê já me esperava há mais tempo do que seria suposto, enfim, agarramos no carro familiar dela e vamos diretos para casa de um amigo, que é pra nem perder tempo, onde já rolava a maior festa, silênciosa, com um grupo que tocava. Não reconheço imediatamente o Julinho, que toca harmónica, aqui é gaita, o que me dá sempre vontade de rir, magistralmente. Conheci-o no Rio, precisamente com a Dê, onde também conheci a Susana, que também estava em Aracaju, é de lá mas mora no Rio. Quem não conhecia era o filho dela, um latagão de 22 anos que benza deus, giríssimo, com tudo no sítio e um delicioso e irresistível sotaque carioca... Já embirrei mais com ele, agora acho-o a coisa mais sexy do mundo, o sotaque carioca, quero dizer... Mas se for na boca de uma mulher dá-me vontade de rir, sou até meio abusiva, às vezes, no sentido descarado do termo, mas não me contenho, é engraçado demais e não é por mal, sou estrangeira e paulista, adoro sotaques. Falando nisso, tenho a dizer que o sotaque mais parecido com o português de Portugal que ouvi aqui foi o de Pernambuco, apesar de ainda não ter ido lá, mas não perdi a esperança... Em Paulo Afonso também, é quase igual. Mas o R português, o verdadeiro, esse aí de poRtuguês, não há mais perfeito que o paulista. Ouvi-lo por uma paulistana da gema é lindo demais, como no sotaque da Camila, por exemplo, o sotaque paulistano mais lindo que já ouvi. Enfim, não fora eu quase da idade da mãe do Marcelinho e não sei não... Tocava violão, bem demais. Rolou janta e tudo. Um ambiente calmo, havia crianças, uma casona, pensei imediatamente: moraria em Aracaju fácil. Puta qualidade de vida boa da gota. (estas duas fotos são da casa da Dê)

Bom, a minha cabeça estava longe, outra vez, ela nunca acompanha o meu corpo, é o diabo..., e talvez não quisesse estar ali, - não por não morrer de vontade de ver a Dê e de estar com ela, conhecer-lhe o gajo e o filho, que é lindo, um pequeno príncipe sapecudo, que só conheci no dia seguinte de manhã -, dei por mim a pensar no quase autismo de alguns músicos, independentemente do prazer que nos proporcionam. Só que é um prazer onde não há troca, ou há uma troca diferente da que me apetecia. Os músicos  estão ali a ter orgasmos múltiplos criativos, - curtindo a viage deles,  dos artista, como ouvi uma vez a um brasileiro num concerto do Gil e chorei a rir - quando tocam toda a gente tem de estar em silêncio, não lhes dando opção. E a mim apetecia-me imenso falar e não tinha como dizer. E 5 horas dento de um busão com a criança do lado a cair pra cima de mim o tempo todo não ajudaram. Precisava de mimo, o de PA não me chegou. Já pra não falar no bom que foi chegar e encontrar uma querida amiga de quem morro de saudades, a tal com quem não preciso de picar o ponto pra saber que está tudo bem. Sou meio eremita, mas passei os últimos dias rodeada de gente, com um deles quase 24h por dia, estava muito mal habituada... Ter chegado sem ninguém à minha espera teria sido duro... 

Depois reconheço o Julinho, como, tudo nesta vida fica mais fácil se a pessoa não tem sono nem fome..., e curto então o que têm para me oferecer. Converso com a Susana, é sempre bom, com a Dê e com mais uns que vou conhecendo. Havia crianças e velhinhos, gente de todas as idades e tamanhos. 

Começa a irritar-me, toda a gente me fala de ti, só te elogiam, sabes lá o que tive de ouvir...

Chego a casa da Dê, uma graça em nome, e é daquela mesa que vos escrevo, se procurarem bem tem lá um moleskine amarelo. Não dou conta do meu próprio cérebro, é incrível como funciona tão rápido, escrevo e ao mesmo tempo as frases vêm que nem avalanche, não me dão tempo de as registar, vêm e vão, tipo onda. Para compensar Paulo Afonso, onde não escrevi uma linha. Lembrei-me de várias frases de efeito, que vieram e foram de volta pro inconsciente. Apanhaste, beleza, não apanhaste, azar. O momento era outro, também...

Para além de ter uma querida amiga à minha espera numa rodoviária qualquer, fui recebida com um cartão bonito de boas-vindas na minha mesinha de cabeceira, aqui é criado mudo, e, juntamente com ele, não um, nem dois, mas três diamantes negros*, 3, de 70g cada um, fresquíssimos. Se isto não é amor então não sei o que é... 

Recebe-me numa casona, com uma puta condição. Cheia de amor e vida, lençóis lavadinhos numa cama gigante, tal como em PA, tudo o que precisava. Só de pensar como seria no Capão tremia de medo... Despojada dos bens materiais, levei uma mochila que não é nada do outro mundo, Eastpack, daquelas individuais, e uma bolsa sacolão, apenas, não houve espaço nem pra toalhas nem pra lençóis, temia o pior... 

*Como a foto foi tirada de manhã, aquele ali de cima já era...

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