11.2.12

Eu amo São Paulo

Ontem bebi o primeiro café depois das três da tarde. Só aí é que percebi o mau humor que me havia acompanhado até então. Associei ao facto dos cabrões dos cães, mais a cadela histérica e o seu latir carente, me terem acordado antes da hora que era suposto. Ainda mais tarde...

Seja como for, o mau humor melhorou consideravelmente, mas depois voltou ao mesmo. Esteve um calor verdadeiramente insuportável a semana toda. E não choveu. Em SP precisa chover no verão, porque senão derretemos juntos, nós e o asfalto... É muita pedra, muita pedra... 

Ontem caiu o maior toró. O trânsito, que já é uma loucura à 6ª feira, semana antes do Carnaval, quer dizer, estava parado, tipo mesmo. Ibirapuera alagado. É sempre assim. O trânsito para porque há zilhares de alagamentos. 

Sentei-me mesmo à frente do cobrador, que falava aos berros com o motorista, na voz mais irritante deste mundo. Só não supera a da cabra da vizinha. Levantei-me e andei dois lugares pra frente, ainda que tenha tentado cantar para espantar o bando de demónios que estava a tomar conta da minha cabeça. No percurso, dentro do busão parado, duas horas no trânsito. Duas. E só tinha passado o aeroporto e pouco mais. A minha vontade foi mandar tudo pra pqp e ir pra casa. Aquilo era o universo a dizer: eu avisei-te, só pra saberes que há um outro voto na matéria a considerar. O motorista perguntou se estava triste, perguntei-lhe como ia pra Ana Rosa. Saí, eu e uma mulher que só não me levou ao colo porque não podia, deu-me boleia de guarda-chuva até ao caminho pro Metro de Sta Cruz. Deixou-me na perpendicular e fui o resto a pé, até ao busão, que não paguei, porque o rapaz não tinha troco de 20, o preço é 3... E ainda me confirmou a rua do metro. Isto é das coisas que mais me encanta em São Paulo. Uma cidade com dez milhões e meio de pessoas, somos todos anónimos, e as pessoas ainda têm tempo e disponibilidade pra ser gentis.

Liguei pra Lu, igualmente puta, igualmente no trânsito, o show era às 9h. Caguei no universo e saí andando. Cheguei finalmente a casa da Lu, onde já estava a Mai, sobrinha de uma das rainhas do axé do Brasil em geral, do Carnaval de Salvador em particular, cuja mãe canta e ela também, apesar de nunca a ter ouvido. E um amigo da Lu do mestrado. E uma tigela de massa que era só tirar e aquecer. Puta, cheia de calor, com fome, irritada e muda. 

Siba, no SESC Vila Mariana. Estávamos do lado. Deu pra comer, beber, fumar um cigarro e tal. 

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