25.1.12

Obrigada, São Paulo.

Obrigada, São Paulo. Por tudo o que fazes por mim, por tudo o que me permites ser, pelos teus habitantes, alguns deles meus queridos amigos. Obrigada, São Paulo, por me receberes, por me protegeres, por me divertires e por me acolheres. Obrigada, São Paulo, não quero saber se és a mais cara cidade do Brasil, a terceira mais cara do mundo, se as tuas ruas são confusas e o teu trânsito louco. Obrigada, São Paulo, por seres grande, grandiosa, por não me meteres medo, por me teres feito superar um monte de medos, um monte de paranóias, um monte de baboseiras em que escolhi acreditar uma vida inteira. Obrigada, São Paulo, por me teres permitido aprender que afinal não sou tão desorientadinha assim, nas tuas ruas grandes, nas tuas esquinas identificadas. Obrigada São Paulo, pelos teus bairros de casinhas, pelos teus prédios imponentes, pela correria dos teus habitantes, pela simpatia, o carinho, o reconhecimento, a solidariedade dos que acolheste nas tuas paredes de pedra. Obrigada, São Paulo, por quase me fazeres esquecer do mar, da vida na Europa, dos europeus em geral e da minha portugalidade em particular. Obrigada São Paulo, por me teres permitido ver os meus de outra forma, por me manteres aqui, por me deixares ficar. Obrigada, São Paulo, por me permitires viver de corpo e alma, nesta selva de pedra que eu amo. Obrigada São Paulo, por, apesar de seres a capital financeira da América Latina, não deixares que o dinheiro nos engula, que o sucesso das aparências tenha assim tanta importância. Obrigada pela Augusta, pela Vila Madalena, pelas padocas e pela vida cultural agitada. Pelo cinema, pela música, pelo amor e pelo carinho. Obrigada, São Paulo, por me fazeres feliz, por me deixares ser livre, por me teres proporcionado os encontros mais maravilhosos, por me manteres perto do coração de poucos, mas bons. Verdadeiros, amigos, gente que se preocupa, que se interessa, que me acarinha, que me trata bem, que me mima muito. Obrigada, São Paulo, por me fazeres sentir em casa. Obrigada e parabéns. 458 anos, é obra... Que contes muitos e bons.

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