19.8.11

Princesa Isabel

Num país em que os números se contam aos milhões, é natural que se considere Serrinha, no sertão da Bahia, uma cidadezinha, mesmo contando com 80 mil habitantes. É na verdade uma cidade do interior, com a tradicional praça e o respetivo coreto, em tons de branco e azul celeste, e o "café central", onde o pessoal se junta pra beber copos. As miúdas arreadas e os gajos orgulhosos dos seus troféus. Da cidade vi muito pouco, a estação, a marca da arquitetura colonial portuguesa em alguns edifícios e resquícios da calçada preta e branca, em cubos.

Com a desculpa do trabalho do segundo semestre, lá fui eu, com uma família que me acolheu aqui em São Paulo, por quem tenho um carinho imenso. Viajei como deve ser, como quis, conhecendo grande parte da família de Vicente e convivendo com ela. Passámos dois dias a comer e a beber. Já em estado avançado de álcool no sangue, e após uma insistência para dançar forró, nervosamente disse logo que não sabia, numa tentativa de me escapar ainda mostrei que só sabia dançar o vira. Comoção e gargalhadas avulsas, claro. Inclusive minhas. Mas não tive grande sorte, os baianos não são de desistir facilmente e há provas contra mim que testemunham o meu péssimo jeito pra dança do forró.

Dos títulos da realeza, só conhecia o de rainha santa. Rainha ainda vá que não vá, mas confesso que o santa não colava muito ao meu perfil. Quando me diziam: nome de princesa, respondia sempre: de rainha. Tal como eu não entendia o título de princesa que me queriam atribuir, os brasileiros também não entendiam a minha megalomania em apelidar-me logo de Rainha.

Depois de ver o meu nome espalhado pelo Brasil inteiro, em terminais de ónibus, ruas, avenidas e tal, sem perceber o motivo, foi preciso ir a Serrinha para me contarem o porquê do nome da Princesa minha xará estar espalhado por todo o lado: foi ela quem libertou a negada, contam-me.

Prefiro Princesa, e a vossa dívida está paga. Também eu sou livre, e a culpa é vossa...

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