22.7.11

Só te faltou o Eça, pá!

Nós, brasileiros, precisamos nos dar conta de duas coisas: uma para levantar nosso ego e outra pra abaixar nossa bola.

Em primeiro lugar, temos que botar na cabeça que o português não é uma língua coitadinha, não está na defensiva, não está decadente, não está morrendo, não precisa ser salva, não precisa ser defendida.

Ela não tem o monopólio de palavras (nem mesmo de saudade) e não é mais rica nem mais pobre, mais linda nem mais feia que nenhuma outra língua (isso não quer dizer nada), mas está sim presente em todos os continentes, é a sexta língua mais falada do mundo e a terceira do ocidente.

A língua portuguesa é. E isso basta.

Uma língua que assim, na largada, produziu O Auto da Índia e O Auto da Barca do Inferno, não precisa que ninguém a defenda. Gil Vicente sozinho defende e justifica nossa língua. Com Camões por um lado e Fernão Mendes Pinto pelo outro (ficando só no século XVI!), não precisamos de mais ninguém. É nosso dream team. O Brasil contribui com Machado de Assis, Guimarães Rosa, Gilberto Freyre e Clarice Lispector. E, para não dizer que fico somente no passado, dois dos maiores autores vivos em qualquer país escrevem em português: Lobo Antunes e Mia Couto.

Em segundo lugar, temos que tirar a cabeça da areia e olhar para o mundo em volta. Português não é sinônimo de Brasil. Podemos ser a maioria dos falantes mas a língua não nos pertence. Existem diversas sociedades que também tomam o português para si. Que vivem, amam, morrem, guerreiam, sonham em português. E é uma vergonha não consumirmos praticamente nenhuma cultura desses países.

M@is


Pode ser que agora parem com a palhaçada da discussão sobre o acordo ortográfico e outras questõezinhas idiotas de 500 anos e se deixem de infantilidades de uma vez. Todos!