18.2.10

Nem só do Sambódromo vive o Carnaval do Rio

O Carnaval do Rio é pra todos os gostos, todas as idades, todos os estratos sociais. Basta querer, basta gostar. E a grande maioria gosta. Gosta e gosta muito.

Há quem não goste, e o melhor a fazer é, das duas uma: sair do Brasil por uma semana ou ficar em casa, debaixo do ar condicionado. Assunto arrumado.

Para quem gosta, as opções são várias: sapucaí, o sambódromo, e suas escolas de samba, os seus carros alegóricos e as suas fantasias de metros e metros de altura. É um carnaval show, é um espectáculo, nada participativo. É só assistir. A Madonna - que, juntamente com a Bionça e a Alicia Keys, estava no Rio - assistiu ao ladinho da Dilma, candidata pelo PT às eleições, que ocorrem este ano. A emoção vive-se nas bancadas. E é impossível ficar quieto. O som da bateria contagia todo o mundo e é uma verdadeira festa. São horas e horas de show. Começa às 8 da noite e vai madrugada fora até de manhã. Este ano, ao fim de mais de 70 anos, ganhou a Unidos da Tijuca. Uma conquista enorme, já que o Paulo Barros tinha vindo a ser muito criticado por fazer coisas diferentes do resto das escolas. Um belo exemplo, este Paulo Barros, que não desistiu da originalidade e foi até ao fim, conquistando o prémio, mais do que merecido. A Unidos pôs o pessoal em êxtase, este ano.

Outra opção são os bailes de Carnaval. Passámos. O Social nunca foi o nosso forte, gosto da coisa mais espontânea e, para primeira experiência, o que se queria era ver a coisa real, ou seja: o Carnaval de Rua.

Este ano, pela primeira vez, o Carnaval de Rua do Rio ultrapassou o de Salvador em números. Mais de 420 blocos na rua, 2 milhões e meio de pessoas. É, de facto, uma loucura.

Os blocos começaram Sábado de manhã, com o Bloco da Bola Preta. A nossa estreia foi Sábado à tarde, no Sassaricando, na Glória, que é inspirado num musical que retrata a vida carioca entre os anos 20 e os anos 70. Este é um bloco com direito a Trio, mas que não sai e, como a maioria, é basicamente um bloco de marchinha. Estava muita gente e muito calor. Havia gente fantasiada de tudo e mais alguma coisa. Marias Bonitas, a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros, Romanos, homens só de fralda..., fantasias a rigor mas também pessoas com apenas adereços, asinhas de borboleta, cabeleiras afro, óculos gigantescos, enfim, havia fantasia para todos os gostos. E gente de todas as idades, desde crianças pequenas de uns 4 anos, a velhinhos. Grávidas, casais, adolescentes, trintões, quarentões, todo mundo canta, todo o mundo pula, todo mundo bebe, todo mundo dança. Não somos chegadas numa marchinha mas é o que mais faz sucesso. E é uma experiência inesquecível.

O calor aperta e convida para um mergulho de mar. As praias do Rio são conhecidas no mundo inteiro. São várias e muito bonitas. Optámos pelo Leblon, já que de Ipanema em diante a confusão era muita. O Mar estava meio bravo e a puxar, a alternativa é chuveiro de água doce, que refresca e sabe bem. O Sol queimava...

Não tem essa de sair da praia, ir tomar banho e sair para jantar. Adoro. Saímos para jantar assim mesmo, nós e toda a gente.

O dia seguinte começou cedo, bem cedo... O Cordão do Boitatá saía às 7 da manhã da praça 15, centrão do Rio de Janeiro, e nós chegámos a essa hora. Nós e a banda...

A concentração foi-se fazendo aos poucos. As cordas delimitam o espaço entre os músicos e o povo. Não tem como não ser assim, as pessoas são muitas, muitas mesmo, e o jeito é acompanhar o bloco do lado de fora das cordas. A hora não impedia que a cerveja se continuasse a consumir em quantidades industriais. O Carnaval também é isso. São 5 dias de folia, de excessos, em que não se pensa em mais nada que não ser feliz.

A música é basicamente marchinha mas os instrumentos de sopro do Cordão do Boitatá são qualquer coisa, flautas, cornetas, sax, tudo, tudo. Este é um bloco sem trio, vão todos a pé, dá a volta e acaba na praça 15, onde um palco está montado e assim fica até à tardinha. Só acabou lá para as 5, com shows e artistas vários, que tocaram para os resistentes.

Seguimos para o Jardim Botânico, onde íamos acompanhar o Bangalafumenga. Um bloco gigantesco que, depois de 4 anos, consegue sair. Era tanta, mas tanta gente que o trio tinha de ficar parado. Desta vez não, desta vez saiu e nós saímos também.

O calor era muito, as pessoas também. E Carnaval não tem frescura não. Quem vai, sabe ao que vai.... A bateria era agitada pelo Negão, que imprimia o ritmo. Era muita, muita gente e as mulheres, que seguravam as cordas para manter a Bateria com espaço para se mexer, lutavam estoicamente para manter as cordas firmes, de modo a separar a Bateria do resto do povo. Porquê mulheres, quando os homens são mais fortes de braço? A resposta, a rapaziada pega nas meninas e passa-as para dentro das cordas, o que torna a bateria inviável... Era difícil manter o trio junto à bateria, o povo via um espacinho livre e queria chegar junto. Só que não dá. O trio tem de ir junto com a bateria. Arranjou-se uma solução bem rápida. Cordas que vedavam a passagem do povo e ao mesmo tempo permitiam que o trio não se afastasse. Teve marchinha, frevo e Tim Maia e Paralamas. Isto sim, a minha praia. E aí era ver-me cantar e pular. Demorô. Colei-me estratégicamente ao trio, à sombra, e deu. Porque ainda estamos para saber como é que as pessoas aguentava, pular e dançar, horas, debaixo de um sol poderosíssimo. A bateria era óptima e o Bangalafumenga foi um sucesso.

Estamos conversados no à nossa participação em blocos diz respeito.

Há, no entanto, uma notinha final sobre os nomes dos blocos, a registar. A saber:
Concentra mas não sai;
Azeitona sem caroço;
Simpatia (ouvimos da praia de Ipanema, estendidinhas ao sol);
Só o cume interessa;
Sovaco do Cristo (em Botafogo, que fica literalmente por baixo do sovaco do Cristo);
Que merda é essa? (Houve um ano que este bloco cruzou de frente com o Simpatia e foi assim que nasceu o nome);
Vem nim mim que eu tô facinha.

São mais de 400 blocos, registámos estes, plas razões óbvias...

Nem só de bloco vive o Carnaval do Rio. Next, @TJ.

5 comentários:

  1. Ler você escrever sobre as coisas que a gente aqui está careca de saber é um refresco. O teu olhar sobre as coisas coloniais deveria ser incorporado aos livros de história :-)

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  2. Aíiiiiiiiiiiiiiii que maravilha!!!
    Já deu para perceber que foi OPTIMO!!!!!!!!!!!!!!!
    Tõ cheia de inveja e esta na verdade não sei se é saudável... Brincadeirinha:))))


    Beijos e manda mais,

    Ro

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  3. Anónimo13:38:00

    querida! Entender o seu olhar sobre as nossas coisas é uma delícia. Textos ótimos!Um beijo
    Débora

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  4. Anónimo13:39:00

    ah, esqueci de avisar, to divulgando, viu? Acabei de enviar o link do blog pro povo do Rio...hehe
    Débora

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  5. Que fofa, Débora :)))
    Bjo gigante e mt obrigada, tá?
    amor, amor, amor :)))

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