10.6.09

Chimarrão

Beber chimarrão é cultural e é levado muito a sério. A cuia é um objecto lindo de morrer e a bomba também. Os gaúchos carregam a cuia, cheia de erva-mate, e a garrafa térmica pra todo o lado, é um arsenal mas eles não dispensam. Toda a gente toma, crianças e adultos. Há até quem tenha uma mateira, que torna a coisa mais fácil. Pomos a garrafa térmica e a cuia na mateira e carregamo-la a tiracolo. É um vício como o do nosso café expresso. Mais do que isso, é um cachimbo da paz que não se fuma, é um charro que, apesar de feito com erva, não bate e se bebe, em vez de se fumar, tem uma ordem certa pra se passar de mão em mão e não se deve ficar com ele na mão mais do que o estritamente necessário, ou seja: pra beber depressinha até roncar, sinal de que tem de se acrescentar mais água quente e passar ao próximo. A água não ferve, tem um ponto. O ponto do chiar da chaleira. Assim que começa a chiar, é apagar o lume, pôr a água na na cuia, já devidamente cheia de erva mate, e degustar.

Bebi chimarrão sem entupir a bomba e até agora tou pra perceber como é que não comi erva. Pra mim é um mistério insondável... Sabe a chá verde. Portei-me muito bem, nem pedi açúcar nem nada. Deixei roncar no fim e passei sem dizer obrigado. Porque aí quereria dizer que já não quero mais.

É tão bom que até o Papa bebia...

2 comentários:

  1. Silvana18:58:00

    Aprovada com louvor!

    "Me dê um chimarrão de erva boa,
    Que o gosto deste amargo me faz bem,
    O amargo representa uma saudade,
    e o doce coração que ela não tem."

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