7.11.08

Das coisas que em Portugal se dizem com a maior naturalidade e que no Brasil talvez seja melhor não...

Privada: "o meu filho entrou na universidade, mas só na privada". Como assim, na privada? Particular, queres dizer.... É que privada é sanita...
Já agora: já agora, aqui, é imediatamente, JÁ! Num restaurante, dizer, pode-me trazer uma garrafa de água, já agora, é querer deixar o empregado, perdão, o garçon, em pânico.
Tou cheio: dizer 'tou cheio, num restaurante, quer dizer tou farto, já a pontos de fod... lixado! Sastisfeito é uma boa alternativa.
Xana: as Alexandras que se cuidem... Xana é aquele palavrão nojento que começa por C e tem quatro letrinhas...
Zona: zona é de pêgas (também quer dizer confusão) ao invés, área, região.
Bicha: bicha, que nós também já evitamos dizer em Portugal, quer apenas dizer paneleiro, que por sua vez, aqui, se pode dizer à vontade, porque serve apenas pra pendurar panelas.
Meter: ui... Se pedirmos a alguém pra meter, é bom usar camisinha...
Cu: não, jamais, é um palavrão horrível, é o próprio do olho. Não dá. Ao invés de pontapé no cu deve dizer-se chute na bunda, ou assim...
Rabo: "rabo de fora". Não, rabo é para os animais, é a nossa cauda, salvo seja.
Cacete: jamais pedir um numa padaria, somos capazes de ter uma surpresinha, de o padeiro nos chamar à parte e nos mostrar o dele, o que se calhar é capaz de ser um bocado chato, pra não dizer impróprio... Baguete, só baguete!
Grelos: perguntar se há arrozinho de grelos num restaurante é a última coisa que se deve fazer. No Brasil, não há grelos, quer dizer, até há, e nós sabemos muito bem o que são. Também sabemos que não se comem, num restaurante, muito menos com arroz... Peça antes brócolos, brocoli, melhor dizendo... Não é a mesma coisa mas ao menos é verde...
Pica: tou com pica, não, por Deus, pique; isto pica! Também não, ao invés: arde! Pica é pinto, é pila...
Por sua vez, se alguém diz 50 pilas, 20 pilas, não se entusiasme, equivale a 50 reais, 20 reais...
Saco: não, sacola, as coisas põem-se dentro de sacolas. Saco são os tintins... Que é pra não dizer aquela palavra que também começa por C mas que tem 7 letras...

De momento é o que há, pode ser que me lembre de mais...

Há ainda algumas que eles simplesmente não entendem, mas essas não têm graça...

Em compensação podemos chamar cabrão a quem nos apetecer, aqui não quer dizer nada... E podemos dizer também aquele palavrão nojento, que começa por C e tem 4 letrinhas, que me recuso a transcrever, aos gritos, no meio da rua, que ninguém nos vai ligar nenhuma...

Pentelho: aqui, quer dizer chato. Podemos dizer e rirmo-nos feitos parvos.
Broche: se ouvir dizer que alguém faz uns broches lindos, a homenzarrada escusa de se entusiasmar, quer dizer apenas que faz umas pregadeiras lindas...
Durex: passa aí o durex! Não entre em pânico, o que o brasileiro quer quando pede o durex é, tão simplesmente, fita-cola!
Outra curiosidade é que no Brasil não se dão puns, que eles não os querem. Ao invés, soltam-se!

Só mais uma coisinha: o acordo ortográfico, resolve estes problemas? Evita que uma pessoa faça figuras tristes? Não? Então não serve pra nada!

3 comentários:

  1. Isa,

    Muito bem observado. O que poderia se chamar de "avisos aos navegantes".
    Há um outro cuidado que eu peço que você confirme (eu garanto o lado brasileiro): nenhum rapaz de orientação heterosexual deve, ao menos no Brasil, sequer pensar em "entrar em uma bicha" quando for o caso de "entrar em uma fila", com o risco de perder completamente a orientação.
    Um beijo do
    Nando

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  2. as pessoas mais velhas ainda dizem tou na bicha. os quarentões, trintões, plo menos nas cidades grandes, já só dizem tou na fila.
    Precisamente por causa das confusões ;-)
    Bjs

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  3. E quanto ao acordo ortográfico, estou plenamente de acordo... com a Isa :-)

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