19.11.06

Cartas prá Metrópole - Jan. Fev. 06

9 de Janeiro
De: Delhi
Para: Lisboa

- Javardice generalizada STOP
- A saida do aeroporto parece o fim da feira de carcavelos STOP
- Os gajos olham para nos como se fossemos aliens STOP
- E riem-se a toda a hora STOP
- Os homens tem torneirinhas e baldes para lavar o pirilau. As mulheres se nao tiverem de pagar o papel higienico estao cheias de sorte STOP
- A barulheira e a qualquer hora. Buzinar e palavra de ordem STOP
- A confusao de cheiros e imensa. Nem bons nem maus antes pelo contrario STOP
- O transito e alucinante. Admira-me como nao se espetam todos uns nos outros a toda a hora. Nao da para acreditar nas razias dos Tuk Tuk (riquechos a motor) uns aos outros com tudo e todos (incluindo cabras, caes, vacas, camelos, motas, bicicletas...) a atravessarem-se no caminho STOP
- Feia e suja STOP
- Da ideia que os edificios se vao desmoronar ao primeiro sopro STOP
- Uma fumarada do cacete constantemente no ar STOP
- Poluicao e pouco para descrever a poeirada que entra por todos os poros e mais alguns, inclusive pelos olhos STOP
- A pobreza nao me passa ao lado. Muito menos os muidos a pedir e as pessoas que vivem sentadas na rua. STOP
- Os olhos das pessoas sao irresistiveis STOP
- Esta merda nao tem acentos nenhuns STOP

10 de Janeiro
De: Delhi
Para: Lisboa (Over and Out!)

- Assim que o sol se poe, as mulheres, que ja sao poucas as que circulam, desaparecem das ruas como que por magia STOP
- Ha sosias do Osho por todo o lado STOP
- Um gajo tem de se descalcar para entrar seja em que templo for STOP
- Os monhes comem com a mao direita e limpam o rabo com a esquerda. E nunca se esquecem nem se trocam. Deve ser por isso que a mao esquerda nunca esta em cima da mesa, a vista STOP
- Integro-me onde for preciso de tal maneira que ate o picante marcha. Respeito tudo e todos. A cultura e os habitos. Os medos e as paranoias. So me doi a castracao a nascenca. O facto de um gajo ter de ser cangalheiro, sem sequer ainda o saber, para o resto da vida por causa das putas das castas. O que me doi e a falta de poder de escolha STOP
- Tanta coisa por causa da caganeira e eu estou aqui com uma panca descomunal. Nao, ainda nao defequei!!! STOP
- Red Fort: parece que la morou um imperador mugol qualquer. A presenca deles nesta rgiao nao durou muito mas trataram de construir um forte gigantesco, numa area ainda maior, para que ao senhor nao faltasse espaco de manobra. Gigante o espaco. Os varios edificios tem redes para proteger das pessoas mas os pombos esvoacam la dentro que e uma beleza. Piores as maos dos monhes que as cagadelas de pombo? Pelos vistos... STOP
- Os monumentos estao simplesmente aos caidos, com um ar abandonadissimo STOP
- Os museus, dentro do Red Fort, para alem de federem, quase nao se ve nada la para dentro. Os vidros sao um risco so. E bom porque os ditos nao interessam rigorosamente a ninguem STOP
- Jama Masjid, a maior mesquita da India, grande, de facto STOP
- A saida da mesquita e a feira dos horrores. Os mercados de rua, ou as ruas transformadas em mercados, estao organizadas por temas, a saber: aves depenadas, cabecas nem sei de que e por ai fora que nao da sequer para olhar STOP
- Do lado oposto ha de tudo: gente doente no chao, criancas por todo o lado, animais de toda a especie e toda a gente pede. Um verdadeiro pesadelo. Nesta rua passamo-nos todos. Nao da para ficar indiferente a tanta desgraca STOP
- Fugimos a passos largos da gripe das aves STOP
- Delhi nao e so edificios baixos e aos caidos. Tambem ha predios e zonas tipo Restelo, monhe way, of course STOP
- Fico contente por sair de Delhi. O transito e uma loucura. Os Tuk Tuk andam em contra-mao no meio das cabras, das vacas, das carrocas, das criancas e das outras pessoas, que atravessam a rua indiscriminadamente, sem regras, sem cuidado, sem medo nenhum. A miseria e por demais penosa. Os deficientes, literalmente sem pernas, aventuram-se no meio da estrada - onde ha sempre uma mota ou riquexo ou bicicleta a querer furar nao se precebe bem por onde - para pedir enquanto o sinal esta vermelho e sempre que este e respeitdo STOP
- Os homens riem-se, as criancas tambem e a maior parte das mulheres olha para nos com umas trombas de metro e meio STOP
- Mlhares de pessoas vivem sentadas na rua STOP
- Tudo o que e Tuk Tuk e autocarro diz, atras, Keep Distance, pra que pergunto eu, se o travao e basicamente o riquexo da frente STOP
- Todos precisamos de um tempo das buzindelas permanents STOP
- Proxima paragem: Agra, a cidade do Taj Mahal STOP
- As putas das teclas destes PC prendem a toda a hora STOP
- Perdoai a falta de uma letrinha ou outra STOP

De: Entre Delhi e Agra
Para: Lisboa

- Pedimos o comboio de 1a classe. Mandam-nos em 2a. O comboio e, como tudo o resto, uma javardice pegada STOP
- Depois de andarmos quilometros ate a nossa carruagem, la nos sentamos. Mulheres (5) para um lado, homens (2) para outro. Calhou. Nao havia quase ninguem no comboio STOP
- Comecamos a andar e depois de o comboio parar passados 5 minutos constatamos que e um inter-cidades, dos que param em todas as estacoes e apeadeiros, e no meio deles... STOP
- Na 3a paragem entra um monte de gente. Querem-se sentar ao nosso colo mas nao deixamos. Afinal fomos os unicos a pagar bilhete. Ainda assim, a proximidade e em demasia. Em bancos de 3 sentam-se 4, um com as pernas para o corredor outro com as pernas pra frente. Toda a gente olha para nos sem desviar o olhar. Da-me ideia que o resto do comboio esta vazio e tudo e todos se concentram ali. Tranquilo. E bom poder falar sem que ninguem perceba. Apetece-me bater-lhes palmas a frente dos olhos a ver se se tocam e param de nos olhar tao fixamente. Rimo-nos que nem umas doidas STOP
- A Rita e a Nelma estao do lado da janela. A Marta ao lado da Rita, eu ao lado da Nelma e a Vanessa na ponta STOP
- O comboio abranda a velocidade mais uma vez. Comecamos a ver hordas e hordas de gente do outro lado da plataforma. Nao fazem mais nada. Atravessam a linha e preparam-se para entrar STOP
- A verdadeira invasao. Penduram-se portas e so nao entram pelas janelas porque tem grades. Esmagam-se uns aos outros numa confusao so. O comboio desata a encher e em segundos fica a pinha. Aqui a coisa deixa de ter piada. Nesta altura do campeonato temos um circulo de monhes a nossa volta. Falam aos gritos uns para os outros e toda a carruagem se levanta para nos espreitar. A pobre da Vanessa tem uma panca de um encostada a cabeca. Quase ao meu colo comeca a desesperar e a dizer que quer sair dali. Como, filha, se nem um mosquito da malaria consegue furar esta multidao? A gritaria incomoda. Ficamos todas contentes por nao percebermos uma palavra de hindu. Imaginamos apenas os comentarios muito pouco proprios daqueles fdp. A Rita diz que reage. A mim so me apetece por um braco a volta do pescoco da Vanessa a ver se com o meu cotovelo consigo alivia-la da panca do monhe. Ela nao me deixa STOP
- Acabamos com os sorrisos. Quase nao falamos porque qualquer coisa e pretexto para uma gritaria e umas gargalhadas insuportaveis. Estamos na linha de Sintra e acabamos de parar na Damaia STOP
- Felizmente dura pouco apesar de nos parecer uma eternidade. Chegamos ao Cacem e a carruagem esvazia-se. Chamamos os ”nossos” homens que nao nos largam mais. Ai deles… STOP
- Agra, finalmente, depois de quase 5 horas no comboio dos horrores STOP
- (Soubemos depois que o comboio que apanhamos era o unico que nao deviamos apanhar. Era o comboio dos assaltos…)
- A Internet funciona a mesma velocidade que os riquexos STOP

10 de Janeiro
De: Agra (Estado de Uhar Pradesh)
Para: Lisboa

- Agra Fort: Iniciado pelo imperador Akbar em 1565. Enorme, como todos os monumentos que temos visto. O tipo de materiais e a propria estrutura acabam por ser muito semelhantes ao que vimos em Delhi STOP
- Taj Mahal: Descrito como o mais extravagante monumento alguma vez construido por amor, pelo imperador Shah Jahan como memorial para a 2a mulher, Muntaz Mahal, que morreu ao dar a luz o 14 filho. E de um branco imaculado, a hora que chegamos, e de uma imponencia impressionante.

Um exercicio perfeito de simetria, com as 4 faces totalmente identicas. Houve os que ficaram ate o sol se por e dizem que o viram rosa. Eu apenas o vi perola. Isto porque se diz que muda de cor conforme a luz do dia vai escasseando. De dourado para rosa, chegando ao azul. Azul apenas o ceu, pela 1 vez desde que chegamos. O capacete de poluicao nao deixa ver mais alem STOP
- Os meus companheiros de viagem sao uns curtidos. So nos rimos a toda a hora. E tudo gente com muito bom sentido de humor. Hoje teria apanhado um camadao de nervos se nao fosse por eles que me fazem rir as gargalhadas o tempo todo. Somos muito divertidos STOP
- Os monhes sofrem de carencia de contacto fisico. Amontoam-se em frente aos guiches e, independentemente de nos estarmos a falar com o senhor do dito, insistem em tentar meter-se no meio de nos, onde nao cabe uma agulha, para se chegarem a frente, quais tuk tuk freneticos de Delhi STOP
- Estamos todos com os chamucas pelos cabelos. Hoje, ao 3 dia, a Nelma avisa que ja nao aguenta mais. E uma canseira dizer nao a cada 2 segundos, aos monhes de todos os tamanhos, que nos tentam impingir tudo e mais algum coisa. Bem mais util que saber dizer namaste, e saber Nahin (nao) e Djau, a nossa salvacao. Nao temos certeza mas deve ser qualquer coisa do genero: baza bacteria! Resulta. Eles bazam. Nao me dou ja ao trabalho sequer de responder. Parece que e a melhor e mais eficaz atitude que podemos ter. Nem de olhar para a cara deles. A ultima vez que o fiz fiquei com pesos na consciencia tais que quase chorei por ter dado um berro a um deficiente. Acreditem, e desesperante e ao fim de uma hora, depois de 500 gemidos e ganidos ja ninguem aguenta STOP
- A pressao e imensa e o desgaste e brutal. O choque dos primeiros dias transforma-se em impaciencia e nervos esfrangalhados STOP
- Este e apenas o 3 dia e achamos que ja ca estamos ha 15 dias, tal e a intensidade da experiencia na monhelandia.
- Mendiga-se por tudo e por nada. Nao ha papel higienico, nao ha toalhas e os gajos esperam gorgetas a toda a hora. Azar. Comigo nao, violao. Chega de chulice STOP
- O transito e confuso tambem aqui. Contra-mao e regra, constato.

12 de Janeiro
- Ainda em Agra. A mafia local nao orienta bilhetes para Varanasi. Agra e a cidade de todos os esquemas. Em tempos chegavam a envenenar turistas para os levar para o hospital e assim fazerem dinheiro a conta dos desgracados. Nao arriscamos, so comemos onde a biblia, aka Lonely Planet, nos manda STOP
- Ainda nao percebemos praticamente nada do que eles dizem. Os w sao v e os v sao b, sendo que os s tambem sao b... Falam a cantar e ao fim de 10 minutos comeca a cansar STOP
- Os chamucas carregam todo o tipo de merda no lombo, que e como quem diz, tambem no riquexo STOP
- A ressacar fruta e saladas STOP
- Da ideia que as cabras e as vacas estao melhor alimentadas que eles, homens, que sao todos magros que nem caes STOP
- Quase ninguem usa oculos. So os velhos e ainda assim nem todos STOP
- Werter's original pra toda a gente. O Frederico impinge-nos os caramelos originais a toda a hora e da-os aos putos que mendigam STOP
- Os monhes cultivam a escarradela em todo o lado, a toda a hora. Mulheres idem. Um nojo... STOP
- Mais uma experiencia com os abutres. Estes gajos sao loucos. Nao temem pela vida. Metem-se a frente do nosso carro guia para se oferecerem como guias. Quase sao atropelados e parecem nao se importar STOP
- Chegada a cidade fantasma, depois de passarmos pelo, diz-se, maior portao de toda a Asia STOP
- Fatehpur Sikri aka Ghost City: Esta cidade foi a capital do imperio Mugol entre 1571 e 1585, durante o reinado do imperador Akbar. Foi erguida numa zona de escassez de agua e por isso abandonada pouco depois da morte do imperador. Um verdadeiro desperdicio. E espectacular! Os edificios estao bem coservados para a idade, com jardins arranjadinhos, e a mesquita ainda a uso STOP
- A minha barriga comeca a dimunuir consideravelmente, nao sei se me explico... STOP
- Ha lixeiras por todo o lado. As vacas, os javalis, as cabras e todo o tipo de animais pastam no lixo. Nao admira que n se coma carne de vaca por aqui. Sao mesmo sagradas. Estacionam em tudo quanto e lado e as pessoas e veiculos limitam-se a contorna-las STOP
- Os gajos fazem bolachas de bosta com as proprias maos, para usar como combustivel STOP
- Os homens usam a heena no cabelo tanto quanto as mulheres usam nas maos. E o cultivo do cabelo ruivo, com direito a nuances, e lambido nos homens chamuca STOP
- Os gajos sao como moscas e nos somos o mel. Para mim tocar e sinal de intimidade. E toco bastante nas pessoas, para as cumprimentar, por exemplo. A nocao de espaco e para mim vital. Estes gajos nao dao espaco para respirar. Colam-se a nos e ficam a olhar, quando nao desatam aos gritos a dizer que tem taxis para dar e vender, sem parar. Se olhamos fixamente para eles acabam por desviar. O nosso metodo e ignorar por completo os gemidos e ganidos. A 10 vez eles desistem STOP
- Percebo que se queiram fazer a vida e impingem-nos de tudo. Dizemos que nao. Passado um tempo voltam a melgar. Sera que acham que aquele jogo de xadrez de repente nos passa a interessar? Credo... STOP
- As teclas destes PC so mesmo a martelada STOP

De: Tundla
Para: Lisboa

- De passagem. Conhecemos apenas a estacao de comboios, onde, na 1st class waiting room, nos banqueteamos com pao, queijo, doce, coca-cola e chocolate cadbury's que os "nossos homens" foram comprar a cidade. Ja nos estavamos a ver horas sem fim sem comer. O delirio STOP
- A estacao esta pejada de passaros e ha cagadelas por todo o lado STOP
- A visao de ocidentais da-me um certo conforto STOP
- Enquanto apanhamos uma seca a espera do comboio, que era suposto ser as 11H15PM e apareceu ja depois da meia-noite, nao e que vemos um gajo a mijar pela janela de outro comboio??? Nao sei o que poderemos ver mais... Os meus companheiros de viagem dizem para me calar porque aqui tudo e possivel STOP
- Um dinamarques safou-nos de um bebedo chamuca a pontape no cu. Desiste de nos e vai ter com ele. Depois de agua na tromba e mais um pontape no cu, o bebedo desiste de vez STOP
- Proxima paragem: Varanasi STOP
- Beijos mil, com sabor a caril STOP

13 de Janeiro
De: Benares (Varanasi)
Para: Lisboa

- Depois de uma viagem num comboio de sleepers com cabine so para nos, quais marajas dos tempos modernos, chegamos podres a Varanasi. Estes gajos gritam a noite inteira
- Ficamos no Surya (sol). Chegamos as 8 da manha mais mortos que vivos, a precisar de comer e descansar
- Breve passagem pela estacao , os 7 dentro de um carro, hilariante.
- Massagem Ayurvedica para todos. Basicamente levamos um enxerto de porrada depois de nos besuntarem todos dos pes a cabeca com um oleo que parece fula. A massagem sabe mais ou menos bem mas dura pouco. As cabras das chamucas gritam umas para as outras de sala para sala. Nao da para o relax mas sabe pela vidinha, com direito a um merecido banho

14 de Janeiro
- A cidade do Shiva, Varanasi, e uma das cidades mais antigas do mundo e uma das mais santas da India, tambem conhecida como Kashi, a cidade da vida, foi sempre um lugar auspicioso para morrer, ja que aqui se obtem a Moksha, a libertacao do ciclo do nascimento e da morte.
- A cidade e o coracao do universo hindu, um cruzamento entre o mundo fisico e o espiritual, e o Ganges e visto como um rio de salvacao, um simbolo de esperanca para as geracoes passadas, presentes e futuras.
- E aqui que os mais intimos rituais de vida e morte tem lugar em publico, nos Ghats.
- O Ganges, que vem dos Himalaias e vai ate Calcuta,conhecido pelos hindus como great mother, e para milhoes deles a ligacao importante para a sua espiritualidade. Todos os dias 60 000 pessoas vao para os ghats de Varanasi para um banho sagrado
- Saimos as 6 da manha para ver o nascer do sol no Ganges e os milhares de pessoas que tomam banho nas aguas hiper poluidas do rio.
- Ha gente em todos os Ghats. Com o sol a nascer e um festival de cores e sons, o espectaculo e impressionante. Senti pela primeira vez alguma espiritualidade desde que cheguei.
- Homens mulheres e criancas tomam banho, lavam os dentes, mergulham e nadam nas mesmas aguas as quais sao atirados, depois de mortos, naturalmente, bebes, leprosos e pessoas mordidas por cobras, fora os corpos de todas as outras pessoas que nao se encontram nas categorias supra, depois de cremadas.
- Apanhamos um barco e andamos para tras e para a frente, suficientemente perto das margens, para assistir a uma manifestacao de fe das mais impressionantes que conheci. Felizmente nao vimos nem um dedinho a boiar. Vemos barcos supermercados, estes gajos vendem tudo, em todo o lado, mesmo no meio do rio, e aproveitamos para depositar velinhas de boa sorte para nos e para as nossas familias.
Proxima paragem: Jaipur

15 de Janeiro
De: Entre Varanasi e Jaipur (Estado do Rajastao)
Para: Lisboa

- Uma viagem interminavel de 14 horas num comboio que para a prisao de Garandiru so lhe faltavam as latrinas infectas no meio das camas
- Continuamos divertidos apesar do cansaco, do pessimo cheiro e da monhezada a ressonar, a flatular e a cheirar a mijo
- A nossa frente vinha uma miuda que me fez lembrar a Marininha o tempo todo. Gira, gira e muito simpatica
- Os miudos sao quase todos lindos, lindos, e sujinhos que doi…

16 de Janeiro
De: Jaipur
Para: Lisboa

- O meu estado de espirito melhorou consideravelmente. Ja nao ha stresses com os monhes. Jaipur parece-me muito mais tranquilo.
- O po continua a entrar-me pela garganta dentro e constato que a minha tosse nao passa por causa disso. Adopto o lenco na cara e a escarradela ocasional, pratica comum entre os locais.
- Continuamos com bom humor. O sol e o calor ajudam.
- Ja estamos praticamente monhes. Negociamos tudo ate os hoteis. Nao da de outra forma ou e a ruina na certa...
- Estao aos gritos por mim la em baixo, na guest house onde nos encontramos. Tem varandinhas em frente a todos os quartos, onde tomamos o pequeno almoco debaixo de um sol ja abrasador, que me fazem lembrar o Brasil todos os dias.
- Fui!

17 de Janeiro
- A cidade cor-de-rosa e bonita. Gosto de Jaipur.
- As pessoas nao sao tao melgas e nos ja somos pros.
- E a cidade para fazer compras. Hoje andamos de bazar em bazar com os "nossos" homens cheios de paciencia atras de nos.
- Tou tesa mas nao resisto a sandalete e a malinha...
- A net tem andado descurada, e certo, por uma boa causa: sessoes de miniaturas ao fim da tarde com os companheiros de viagem aviadores
- A Rita e a pessoa ideal para fazer compras. Poe aquele ar dela de quem nao se deixa abalar por nada, firme e hirta, ate a bagatela final.
- Continuamos todos a conviver alegremente uns com os outros.
- Os monhes pintam os olhos aos miudos pequeninos, ainda nao percebemos porque.

18 de Janeiro
- Deambulamos pelos palacios da cidade, incluindo a praca do anuncio da Optimus. O Ambar fort e um labirinto so, fantastico.
- Acabamos em beleza. Jaipur e mais conservada e bonita do que qualquer outra cidade monhe por onde passamos, apesar de nao nos livrarmos da javardice e das buzinas.
- Borrifamo-nos para o norte e vamos directos (com paragem em Bombaim, que foi oferecida pelos portugueses como dote da D. Catarina de Braganca aquando do casorio real com D. Carlos II de Inglaterra) para o sul.
- Despeco-me de Jaipur ao som do Dancing Queen! Um bom pressagio...
- Praia, por amor de Deus...

19 de Janeiro
De: On the Way to Bombay
Para: Lisboa

- 2nd class AC com a amiga Rita. O resto do gang em primeira. viajamos tranquilas, com uma cabine so para nos. Excelente. Que se lixe a primeira classe e os bilhetes ao dobro do preco STOP
20 de Janeiro
- Chegada a Bombaim para um 1 night stop STOP
- A cidade poderia ser uma cidade europeia, com menos monhes e menos barulho. Bombaim e manifestamente diferente de todas as outras cidades, com edificios bonitos e as ruas menos sujas. Quase nao se ve lixo no chao STOP
- Os pedintes sao muito menos e a melguice tambem STOP
- Para as compras e o delirio STOP
- Estamos os verdadeiros indis. Ja andamos todos a molhada dentro de um taxi so STOP
- Pela India fora, os monhes tem a mania de andar agarradinhos, com a maozinha por cima do ombro uns dos outros - so um e que anda, o outro faz um ar displicente e caminha um milimetro mais a frente - e/ou de maos dadas, e nao quer dizer que sejam maricas STOP
- As mulheres andam de ombros a mostra. Bombaim e mesmo diferente STOP
- Nao ha paciencia para a MTV monhe! Eles ganem muito e os video clips sao sempre com uma mulher giraca e um homem do mais bimbo que pode haver STOP
- Para alem de terem um problema gravissimo de carencia de contacto fisico, e a mania irritante de se juntarem aos montes e se colarem uns aos outros, e a nos, que e o pior, tem outro problema: custa-lhes esperar para passar. Independentemente de estarem num corredor estreito, com pessoas de mega mochilas as costas, insistem em querer passar eu so gostava de saber por onde... STOP
- Elephant Islands: pagamos 3 bilhetes para ver as escavacoes de figuras tipo Shiva e os gajos do costume. A intrujice destes gajos e um escandalo. Depois de nos terem dito que o bilhete de barco dava direito a guia e a visita as grutas ainda tivemos de pagar mais dois bilhetes, um deles de R5 para subir um monte de escadas que chegamos la a cima a arfar. O outro de quase 300... Desde os taxis a porra das grutas nao param de nos intrujar. Sao uns fdp STOP
- Mais uma interminavel viagem de comboio STOP
- Proxima paragem: GOA, AT LAST!!!

21 de Janeiro
De: Goa
Para: Metropole

- A India merece uma viagem ao sul. Cheira-me que ficou muito por explorer STOP
- Acredito que conhecer a India implica conhecer Delhi, Varanasi e por ai fora. Nao, nao me agradou Delhi. Tem vindo a melhorar de dia para dia. De qualquer forma, o sul e a minha praia. Dispenso o norte que nao conheci em detrimento do sul. Sou decididamente do sul STOP
- Em Goa ha sinais de transito, eles buzinam muito menos, so em casos de necessidade, de facto. A saida do comboio ha taxis pre-pagos. Rp 300 por 20km. Mais uma vez estamos a ser chulados a forca toda STOP
- 15 dias passados e ninguem, nenhum dos 7, agora somos 8, teve caganeira STOP
- Sou decididamente uma mulher do sul STOP
- Goa cheira a terra STOP
- Natureza finalmente. Que ja nao se aguenta poluicao em geral, Sonora em particular STOP
- O Alexandre teve uma recepcao em grande. Foi uma lufada de ar fresco ainda que o ar estivesse optimo STOP
- Nao nos livramos de andar com as mochilas as costas amanha. O hotel onde ficamos custa pra mais de uma fortuna. A Rita vai tentar negociar. Ainda por cima nao tem acesso a net, cum caneco. O que vale e que o Alex descobriu um buraco infecto com 3 PC e internet a Rp 30. Tenho andado a ser chulada mais uma vez STOP
- Estou feliz STOP

22 de Janeiro
De: Baga (Goa)
Para: Lisboa

- Eles dizem que Baga parece a Oura. Eu acho que nao e tanto assim. As ruas sao barracas - pro delirio de qualquer mulher que se preze - aos montes, todas coladas umas as outras. Restaurantes bons onde jantamos todos juntos, um deles com as mesas demasiado grandes, andamos feitos monhes, gostamos de estar todos em cima uns dos outros. Assistimos ao Man. United X Liverpool. Em Baga ha barulho mas nao e tao mau como a Oura STOP
- Um gajo na India orienta-se. Basta andar pela rua, quem diz a rua diz pra mais de um dia inteiro de comboio, que logo, logo se nos entra no ouvido o chai, chai; Hallo, Hallo; Chapati, acompanhado de toque no braco ou na perna ou no que estiver mais a mao, seguido de dedos juntinhos, polegar incluido, levados a boca para exemplificar que nos pedem comida; where are u from my friend? STOP
- Nos abanamos a cabeca para a frente e para tras para dizer que sim. Os monhes abanam para o lado. Ha quem diga que abanam para os dois. Tenho visto apenas para um, o mesmo. Com um baixar de olhos. Sao tao queridos... (entretanto ja vi abanarem para os dois) STOP
- Os poucos tuk que ha tem portas STOP
- Os monhes vao a praia todos vestidos. Em Calangute so se veem aos montes, todos a molhada, sempre, e de maos dadas quando vao ao mar. Parecem miudos. Ate as brincadeiras entre eles parece de putos de 15 anos, que nao sao.
- Esta praia totalmente monhe tem inclusivamente vacas e um gajo a gritar: chai, chai... O proprio do Ghat, com aquela gente toda a tomar banho numa gritaria que so vendo STOP
- Na praia de Baga, onde nos instalamos, os monhes passeiam-se vestidos para controlar o mulherio ocidental. Param e ficam a olhar e quando nos apanham distraidas, fingem que tiram fotos uns aos outros para nos apanharem as mamas e os rabos. Uns atrasados mentais, coitados STOP
- Comemos peixe grelhado e salada. E frutinha que foi um mimo. Que se lixe a dotora STOP

23 de Janeiro
- Ate ha mulheres a condizir mota e a andar de dita com uma perna pra cada lado, enquanto penduras. Raro, raro. Normalmente andam qual princesa chique do seculo 18 a andar a cavalo, com as pernas para o mesmo lado STOP
- Ha miudos varios a jogar futebol. A influencia portuga esta aqui STOP
- O Andre adoptou completamente o the Indian way of driving no nosso meari a la monhe so que vermelho. Buzinadelas bravias a torto e a direito STOP
- Vamos jantar ao Rangol e depois a um bar muito giro, enorme, com alta onda, onde so estavamos nos e a musica era um nojo. Foi fixe STOP

24 de Janeiro
- Vamos a Anjuna, a uma praia que me faz lembrar o Baleal. Diz-se que e o sitio dos freaks. Ja vi bem pior STOP
- Falamos cedo demais. Primeiro a Marta, depois eu, a desfazermo-nos completamente e a contorcermo-nos de colicas STOP
- Nao volto a comer marisco enquanto me lembrar STOP

25 de Janeiro
- Eles foram todos para a praia. Eu fiquei a cura-la STOP
- Parabens ao paizinho STOP
- A Marta deixa-me o iPod dela gracas a Deus se nao tinha de levar com a musica martelada bravia do monhe que nos aluga o pardieiro por 3 dias STOP
- Se esta merda nao me podia ter dado no Norte, caneco STOP
- Encho a boca pra dizer que nunca tou doente e em 15 dias ja apanhei duas constipacoes, uma colada na outra, a primeira mal curada e agora tou a sofrer, com direito a uma tosse que me arranca os pulmoes e me desfaz a garganta, e uma intoxicacao alimentar ou algo do genero. E isto nao me podia acontecer em Lisboa, porra, no Inverno, ja agora... STOP

26 de Janeiro
- Ja tou boa. Ja fui a praia e ja me deram uma mezinha para a tosse que e uma maravilha. Dei dois goles e parei de tossir. Na nova praia onde vamos em Baga. E la que tomamos o pequeno almoco STOP
- Eles apanham uma bezana tremenda na Cuba nao sei que, uma disco com ambientes exteriores altamente e uma pista de manifesto mau gosto, com um palco onde so e admitida a entrada a mulheres: Ladies Only, assim mesmo. Eu estive a agua a noite toda. Ha que ir com calma que ja tive a minha dose e este e so a minha primeira saida pos caganeira STOP
- Ta um calor do caracas e estamos todos com um bronze de fazer inveja STOP
Proxima paragem: Palolem
Soundtrack: O Acaso vai me proteger enquanto eu andar distraido, Titas. Powered By: Cosmopolitan Babe

27 de Janeiro
De: A Estrada dos camiões
Para: Lisboa

A NH17 é uma estrada com direito a separador central ocasional, que nos leva de Goa a Palolem. Passamos ao largo do Margão, de onde o Alexandre nos havia safado de uma seca monstruosa aquando da nossa chegada ao Sul. Jantamos num boteco de beira de estrada onde comemos que nem alarves e pagamos uma ninharia.

O cozinheiro era um artista. Adoramos. Temos pena de não ter podido ficar a beber uma buja com um goês que falava português.

Seguimos no jeep encarnado, o verdadeiro enxerto de porrada, que nos leva 3 horas para fazer 50 quilómetros, por amor de Deus… Sem costas e de cabelos ao vento, lá vamos nós NH17 fora até à Maria Guest House que nos espera em Palolem.

Os chamuças são loucos. Aquela estrada é um pesadelo, com curvas e contra-curvas - que entretanto o separador central já era e aquela merda, a NH17, virou um caminho que se assemelhava mais a um acesso que outra coisa, e já vi acessos melhores, – o próprio do filme de terror, com os camiões a 20km/h a pastar à nossa frente. E outros parados na berma, metade de fora, metade de dentro da estrada. Que nem divisórias tinha com os anormais dos monhés a trocar pneus nas curvas mais apertadas. Triângulo é coisa pra ficar dentro dos camiões, em cima do tablier. Troncos, à frente e atrás dos brutos camiões, servem para sinalizar a paragem do monstro numa estrada que não tem um candeeiro sequer. Há também a variante pedras, autênticos calhaus, em vez dos troncos. Criativos, os locals... Os animais conduzem de máximos permanentemente ligados. A viagem foi feita em silêncio, com umas buzinadelas ocasionais. O André, imbuído do espírito monhé, adoptou por completo de Indian way of driving. Lindo de se ver.

De norte a sul, os camiões são verdadeiros espectáculos de luzinhas e cores. Cheios de Shivas e Ganeshes e a porra toda, por todo o lado. Altares nos tabliers é mato. Do mais kitch que pode haver. Mais decorados, até, do que as casas dos próprios donos, estou em crer, a avaliar pela pobreza da indumentária do macho monhé. Os monhés enfeitam tudo, até as cabras, que se passeiam por todo o lado de fitas de Natal na cabeça e nos cornos. De Norte a Sul, tudo o que é estabelecimento comercial nos deseja bom Natal e feliz ano novo. Até hoje. Só luzinhas a piscar por todo o lado. Estes gajos são de uma infantilidade que chega a ser comovente. De cada vez que me lembro deles na praia, por amor de Deus... Diz-me que eles se comportam como se tivessem 15 anos e agem com o mar como se tivessem 6?...

Chegamos finalmente à guest house da Maria.

Para quem viveu três meses numa casa com telhado à vista e duas lagartixas na parede da sala, mosquiteiro é coisa pra meninos. Partilho o quarto do segundo andar com a amiga-Rita-valente-que-reage e que inclusivamente agarrou numa centopeia com as próprias mãos, em vez de lhe dar com um chinelo, que era o que eu faria, e só me falou nisso depois de atirar a dita pela janela.

O Nantzy, o miúdo nepalês que trabalha no bar da guest house, é a coisa mais querida.

Não hei-de morrer sem ir ao Nepal. E ao Tibete. E descobrir Karnataka e Kerala. Talvez começasse por Calcutá. E desse um salto até às montanhas em busca da espiritualidade perdida. Encerraria no sul a minha Indian experience of a lifetime.

NAO ME APETECE ESCREVER
Palolem e lindo. Imaginava-me a viver aqui um bom par de meses. Ou tres ou quatro... Se o povo fosse outro. Numa das milhentas casinhas de frente para o mar. Sem luxos nem bens suprefluos. Queria la saber. Desde que fosse em frente ao mar e que pudesse escrever.

Nao me apetece voltar. Nunca me apetece voltar...

28 de Janeiro
De: Palolem
Para: Lisboa

Palolem é demais. A praia é linda de morrer, com vegetação por todo o lado e casinhas aqui e ali, de frente para o mar. A população é manifestamente freak da ganza. Tranquila e boa onda.

Desistimos rapidamente de ir embora no dia combinado e adiamos a coisa para segunda-feira em nome de uma festa. A tal festa prometida. Finalmente vamos a uma famosa festa em Goa. Na praia das borboletas, com acesso só de barco. Começa às 5 da tarde e vai pela noite fora. Domingo promete.

Jantamos num restaurante de praia louquíssimo. Com um nepalês que é a coisa mais linda, mais simpática e mais competente, o Chantra. Temos problemas vários de incompreensão com os indianos. Eles dizem que sim a tudo e depois impingem-nos qualquer coisa que não pedimos ou simplesmente demoram horas para trazer a coisa mais básica ou simplesmente não trazem. Este é mais um nepalês que nos cai do céu. Não só fixa tudo sem precisar de papel como sabe para quem é que são os pratos. Não há música mas há as ondas do mar. Mais relaxing era impossível. Adoramos tudo. O espaço, a comida e o nepalês coisa mai linda.

29 de Janeiro
Auto da barca do inferno:

O dia começa mal. Não temos cadeiras para todos. Fomos ver os golfinhos que não existem. Os gajos sabem bem que não existem e transportam os turistas otários durante horas dentro de um barco para não ver rigorosamente nada. Gosto de andar de barco, não me chateio.

Soundtrack: música do genérico da 5ª Dimensão.

Na volta passamos na praia das borboletas para ver o que nos espera mais logo. Para rave parece-nos pequenina mas bonita O André espera horas e horas por uma mísera sandwich de atum e apanha um ataque de nervos com o tolo do miúdo que nos serve. O miúdo é nepalês mas a avaliar pela monguice deve viver na Índia desde que se conhece como gente. Mantemos o espírito alegre. Hoje é dia de festa. Vejo o pôr-do-sol com o Alex. O resto foi pra casa repor os sonos que mais logo quer-se energia em barda. O pôr-do-sol é o da foto. Saio da praia para ir a Net postar. O internet point é estrategicamente na mesma praia, virado para o mar. Assisto ao fim do pôr-do-sol enquanto vos escrevo. E enquanto o Alex é devorado pelos mosquitos.

Artilhados de álcool até aos cabelos, repelente, papel higiénico, lanternas, e demais artefactos para uma noite que se quer longa e animada, saímos para jantar decentemente.

Jantamos no restaurante dos panos, ao ladinho do Café del Mar com o mesmo nome e a mesma imagem do de Ibiza. Os indianos continuam uns totós. Temos de dizer as coisas 30 vezes e ainda assim trazem-nos pratos a mais.

Não tenho grande pica mas resisto à tentação. Quero mesmo ir a uma festa em Goa e ponto final.

Não há barcos porque é de noite e os barcos não têm luzes (!) é assim mesmo. Enquanto os organizadores da festa não pagam à polícia para que os barcos possam sair assim mesmo não há nada pra ninguém. Vê-se gente e mais gente de garrafas de 2 litros de água na mão por todo o lado.

Parece que a policia está devidamente controlada. Há barcos. Saímos do sítio onde estávamos para um ultra-secreto onde os nossos homens haviam combinado com um gajo qualquer para nos transportar.

A Marta avisa que não vai pra lado nenhum num barco sem luzes. Eu mando pró ar que não me agrada ir num barco cheio de gente. A minha vontade não é muita, tenho sono mas luto contra a minha cabeça. Não quero perder a festa por nada. À Rita ocorre que o perigo está nos outros barcos e não nas rochas porque confiamos que estes gajos conhecem o caminho como as palmas das mãos deles. Vemos que os barcos afinal têm luzes. A Marta convence-se a ir.

Vemos sair um barco precisamente do sítio onde tínhamos estado. Os gajos que tinham combinado connosco não aparecem. Aparece outro gajo que sai de perto de nós a correr para ir buscar um barco. Deparamo-nos com um par de chinelos na areia. Não são de ninguém. O Frederico pega num e atira-o ao mar. Ainda ele ia no ar e o André lembra-se que pode ser do gajo que saiu a correr para nos arranjar um barco... vemos sair mais barcos longe do sítio onde nos encontramos e de sítios onde já havíamos esperado horas por eles.

Nada. Nada. Nada durante horas.

Aparece finalmente um barco no qual nos enfiamos os 8 mais dois turistas que não conhecemos de lado nenhum. Boa, vamos só 10, menos mal.

Afinal os barcos não têm luzes permanentemente ligadas. Vemos uma luz demasiado perto. O Frederico vira-se para a frente e resolve ligar a lanterna. Nada mais nada menos do que um barco a escassos metros de nós. Olha aí, olha aí, os nossos barqueiros ainda desligam os motores mas é tarde. Só vejo o barco a vir para cima do nosso e lembro-me de pensar: a Marta e o Frederico estavam ali, ali, precisamente onde o barco subiu. Onde é que eles estão? Foi tudo muito rápido. Ouvimos o Frederico dizer que estava tudo bem e só olho para a Marta e penso: porque é que raio era ela que estava ali e dou graças a Deus por ter sido o Frederico que ia ao lado dela.

O Frederico, em fracções de segundos, pensa: ou atiro-me à água e levo a Marta comigo ou... Não se lembra de mais nada. Encosta-se para trás, por isso deixo de o ver, e empurra o barco com o pé. O barco é leve, foi o suficiente para o afastar. As bestas nem sequer sabem a regra básica de virar para o mesmo lado em caso de colisão evidente. O anormal vinha ao atravessado e nós de frente. E pior, o gajo virou o barco literalmente para cima do nosso. Deveria estar completamente bêbedo e sem noção nenhuma do que estava a fazer.

A Marta, e nós todos em coro a seguir, depois de constatarmos que os gajos se preparavam para seguir viagem, dizemos que queremos voltar para trás.

A coisa não passa de um susto monstruoso e de umas lascas no barco. Nem pensar irmos neste nem em nenhum outro. Para mim o aviso foi claro: não é para acontecer e ponto final. Constatamos que, enquanto lutavam pela vidinha, nem a Marta largou os chinelos nem o Frederico largou a lanterna...

Bebemos uns copos no café del mar ainda completamente azamboados com a história toda. O Frederico fica com uns arranhões na perna, ainda dá um pontapé numa pedra que lhe dá cabo do outro pé, o são.

A imagem do barco a vir pra cima de nós vem-me à cabeça de dois em dois segundos.

Soubemos depois que a festa foi uma granda merda. Só queimados por todo o lado, a fritar, e muito pouca gente. Com o som bom mas um ambiente de merda.

30 de Janeiro
Praia, praia e mais praia e so long Palolem, que decidimos logo no primeiro dia que foi a praia mais fixe onde estivemos. E que a onda do lugar é a melhor. Fazemos a viagem de dia, não queremos o mesmo stress da vinda.

Próxima paragem: Lake View Hotel (ali como quem vai para Anjuna)

De: a Estrada dos camiões (de volta a Goa)
Para: Lisboa

Almoçamos na praia e dizemos adeus ao Nantzi e a Palolem.
De dia não há tantos camiões. O chaço que o André conduz pela estrada fora, que vai se a ver e é linda de morrer, ameaça desfazer-se a qualquer minuto. Perde parafusos a torto e a direito e as mudanças deixam de repente de entrar. Paramos. Felizmente é luz do dia. Felizmente há um boteco onde o carro resolve parar. Felizmente temos uma mota.

O dono do dito oferece-se para nos levar ao mecânico mais próximo que é já ali. O Frederico volta com o dono do boteco e o mecânico. Os três de mota, na mesma, a nossa. A coisa resolve-se ali. Vamos até ao mecânico não vá o diabo tecê-las só pra ver se não corremos o risco de ficar mais uma vez pelo caminho. Tudo em ordem. O André diz que o carro nunca esteve tão bom. Pagamos 400 paus ao gajo e vamos embora.

A noite vai caindo aos poucos. O Alex está meio doente e o André conduz. O mulherio atrás canta desalmadamente todos os hits portugueses de que se lembra. Festival da canção e desenhos animados incluído. Começamos pelos “óculos de sol” e já ninguém nos cala. Estou rouca mas não desafino.

O Frederico e a Vanessa ouvem os nossos berros ao longe. É a festa dentro do Meari ao melhor estilo monhé.

Passamos pela ponte dos buracos e chegamos finalmente ao Lake View. Um hotel supostamente fino e moderno, com o papel de parede (quem é que usa papel de parede no século 21 cum cacete...) a cair, os lençóis encardidos, surprise, surprise, um quarto gigante.

Vamos buscar as mochilas ao pardieiro e instalamo-nos.

Amanhã não tenho voz.

De: Goa
Para: Lisboa

Chegamos roucos de tanto cantarolar. Só nos escaparam mesmo os gingles dos anúncios. O André confessa a custo que gostou particularmente da parte do trai lai lai.

Espera-nos o Lake View-XPTO-Hotel-com-piscina-e-tudo cheio de luzinhas e com direito a bar/disco chamado Matrix, onde nunca chegamos a pôr os pés - em que não nos fazem as camas e temos de mendigar papel higiénico. Contudo, há um nepalês sorridente, tão sorridente que mal lhe conseguimos ver os olhos, que nos abre sempre o portão do dito, a qualquer hora que queiramos entrar ou sair, e temos direito a lençol de cima. Caro como o caraças mas foi o que se arranjou. É lá que nos instalamos até irmos pra Bombaim.

Inclui pequeno-almoço, que decidimos desde logo tomá-lo na piscina, todos encafuados debaixo de um chapéu de sol, que não se aguenta o bafo às 9 e tal da manhã. Por que antes isso do que a sala onde servem o dito. É simplesmente de fugir.

Nesta altura do campeonato já se decidiu que Kerala ficará para segundas núpcias, com muita pena minha e de alguns de nós, em prol das finanças em geral, abaladíssimas pelo rombo totalmente inesperado, pelo menos para alguns, e dos nossos corpinhos e nervos que não aguentam mais horas de mochilas às costas e muito menos aguentam encarar mais um comboio, credo, ninguém merece.

Aproveito pra lavar roupa. A avaliar pelo estado em que fica, concluo que a água que sai das torneiras vem directamente do Ganges e abastece toda a Índia...

E o que me dá nos nervos o facto de os ATM monhés só funcionarem quando lhes apetece?

Jantamos num italiano fiiiiiiino. O Frederico pede uma sobremesa de chocolate que já não me lembro o nome. Quase que lhe acabamos com ela. Ui ca bom... Acho que começa por "ó"... O café não é Expresso. Acho mal. Vou-me queixar ao Berlusconi!!!

31 de Janeiro
De: Vagator
Para: Lisboa

Queremos variar. Tentamos a praia do Intercontinental onde nos pedem pra mais de uma fortuna pra podermos sentar a bunda nas cadeirinhas de praia onde normalmente o fazemos de borla. A praia é linda de morrer e tem pouquíssima gente. Como não tem bar por perto, e antes sentarmo-nos na areia do que passar fome, que isto é tudo gente de muito alimento, desistimos e procuramos outra.

Lá nos estiramos. O Alex já nos faz companhia mas fica na sombra que se lixa. É a vez dele de ser a vítima dos downloads em geral, dos de medicina em particular, de todos nós. É que somos todos muito opinativos e temos sempre qualquer coisa pra dizer sobre o que for, mesmo que não percebamos nada do assunto. Há sempre um tio, primo ou cunhado que já passou por isso e que sabe e tal. Característica portuga, constatamos. A gente não aguenta é ficar calados... Ao menos não dizemos que sim a tudo e pela parte que me toca vou dizendo cada vez mais que não! E gosto!

As vacas também escolhem esta praia. São algumas 5 ou 6, abancadas na areia a contemplar o mar. É um espectáculo!

No fim do dia vemos o pôr-do-sol num bar em Anjuna, que é simplesmente lindo demais. Um spot do caraças. Assim de repente lembro-me de umas festas que se poderiam fazer e que rendiam e não era pouco. Com a areia aos pés, árvores verdes por todo o lado e o mar à frente dos olhos, matamos saudades de um café Expresso Lavazza, do melhor.

1 de Fevereiro
De: Anjuna
Para: Lisboa

Dia de Mercado. Enorme. Anjuna está cheio de gente e é tudo baratíssimo. Coisas giras, giras mas ao fim de meia dúzia de barracos e tendas, a que eles chamam orgulhosamente “shops, come to my shop, madame, come, come” é apenas mais do mesmo. Não nos ralamos nada não fosse pelo calor. Negociamos tudo e não temos vergonha. Os preços são baixos e nós baixamo-los ainda mais. Os gajos jamais saem a perder e nós finalmente aprendemos a lição. O mercado rende pra todos sem excepção.

Homens e mulheres, miúdos e miúdas, de todos os tamanhos e idades, não param de nos tocar e puxar pela roupa. Descubro que tenho uma fobia tremenda a que pessoas que não conheço de lado nenhum me toquem. Perdi a conta às vezes que disse: Não me toques, cacete! Em inglês e português. Apetece-me enxutá-los. Descubro o pior que há em mim na Índia e odeio. Eles olham pra mim como se eu fosse louca. Deixa-me doente e fora de mim esta carência de contacto físico. Não tenho como colmatá-la e além disso não me apetece. Os nervos, os nervos...

2 dos nossos homens haviam desistido bem antes, ficámos de nos encontrar na praia. O Alex aguenta o tranco e percorre o mercado connosco.

Aguento até à hora de almoço. A morrer de fome, depois de andarmos km e km à procura dos homens, o atrasado mental do gajo que nos serve simplesmente não me traz o que lhe peço. Irrito-me e vou-me embora. Não me faz mal nenhum ficar sem comer e alem disso não dou dinheiro àquele anormal, que me respondeu mal quando lhe pedi pra me trazer outro sumo de melancia, desta vez sem gelo, desculpe lá, ó amigo, mas assim de repente não me apetecia nada, nada apanhar cólera...

Coca cola Diet pra matar a sede e ‘tá feito. Aguento. Fico com os homens na praia enquanto o resto do mulherio se aventura pelo mercado. Combinamos no carro para não haver chatices. A selecção de músicas da Adriana Calcanhotto no iPod do André é simplesmente do melhor.

Massagem Ayurvédica decente por amor de Deus. O óleo é igualmente gorduroso, a monhé tem umas mãos abençoadas. Fico como nova. O Lake View vale, quanto mais não seja, pelas massagens.

2 de Fevereiro
Old Goa. ‘Bora lá então ver os vestígios da passagem dos portugueses por Goa. Não são grande coisa. Está um calor de morte... Vemos o S. Francisco de Assis numa igreja católica e para mim, prá Marta, pró Frederico e prá Vanessa é quanto baste. Voltamos à praia de Baga. É uma sensação de familiaridade engraçada voltar a um sítio onde só estive há poucos dias pela primeira vez. É quase como sentir-me em casa, não sendo. Mato saudades do monhé que me deu a melhor receita pra curar a tosse que conheço. Logo, logo depois de ter atirado pró ar que se tivesse no Brasil, em qualquer lado, e me ouvissem os pulmões a sair pela boca fora - era esta a imagem que se adivinhava a avaliar pelo ataque de tosse que simplesmente não parava - alguém me haveria de dizer qual o remédio certo e eficaz para acabar com aquilo. Remédio natural, naturalmente!

Os outros seguem para Panjim. Onde supostamente há resmas e resmas de casas coloniais portuguesas, ainda.

Recebo a notícia via SMS. Quero ir pra casa, ter com o meu pai, a minha mãe, os meus irmãos e os meus primos.

3 de Fevereiro
Decidimos ir de avião para Bombaim. Já ninguém aguenta mais comboios. Gostávamos que o Alex tivesse passado por essa experiência mas paciência. Os preços compensam e os nossos ossos e nervos imploram misericórdia. Partimos Sábado. Kerala fica-nos atravessado. Também me fica atravessado, a mim particularmente, Karnataka. Ficamos na praia até ao fim. O meu estado de espírito é uma merda e não tem como mudar.

4 de Fevereiro
Aproveitamos a praia de manhã. Hoje não há cadeiras. Abancamos no chão, à antiga, diz o Frederico... Pela primeira e única vez em toda a Índia, dou dinheiro, Rs 10, a um miúdo surdo que era a coisa mais engraçada e que me confirmou que não é preciso saber falar para se ser entendido. Apesar da prática mais do que comum, a mendicidade é desencorajada pelo Governo indiano. Almoçamos e vamos para o aeroporto.

Chegamos a Bombaim. O aeroporto está um nojo de todo o tamanho. Lixo por todo o lado. Há greve e muita sorte tivemos nós em termos conseguido apanhar o avião em Goa. Tínhamos visto nas notícias que haviam sido cancelados vôos em Calcutá e Bombaim.

Quero ir pra casa. Tento mudar o bilhete. Tudo cheio até terça, o dia em que nos despedimos da monhélandia.

OK, fico até ao fim. Os meus companheiros de viagem são a coisa mais querida. "ADORO ESTE GRUPO!!!"

De: Mumbay
Para: Lisboa

O que me dá nos nervos os conceitos de hospedagem e de limpeza desta gente, catete…

Ficamos em dois quartos. Eu e a Marta dormimos na varanda, com os cabrões dos corvos a gritar que nem uns desalmados aos nossos ouvidos. O Frederico e a Vanessa dormem na caminha de casal, que nós até somos porreiras. A varanda é coberta, claro, mas não deixa de ter sido uma varanda e os grandes chulos cobram como se fosse uma suite… A cortina do duche, nunca por nunca ser, foi lavada. E antes de ser posta ali tomou banho de purificação no Ganges de certezinha absoluta. Os outros 4 arruma-se como nós. Casalinho na cama e solteiros na varanda. A entrada do prédio que se diz hotel é de fugir. Passaria ao largo de um prédio como este aspecto em Lisboa, acho até que nem os há, tão assustadoramente nojentos, quanto mais entrar...

Jantamos num sítio giro, à excepção da Rita, a inaugurar-se na caganeira, e do Frederico, ainda a ressacar o Mephas. Eles foram sair, eu estava a morrer de sono.

Estes gajos sugam-me a energia toda.

5 de Fevereiro
Finalmente pequenos-almoços decentes. Já não aguento butter and jam toasts, caneco... Croissants ao melhor estilo francês, quero dois se faz favor, e um galão de máquina. Ui ca bom...

Está um calor que não se pode. Decidimos que vamos ao shopping enquanto o calor aperta, que não há quem aguente andar na rua. O melhor shopping da cidade é de uma pobreza franciscana mas ao menos tem ar condicionado. Meia dúzia de lojas do mais chechelento - que é como quem diz chunga, na língua do Jorge Amado – que há. Em três tempos despachamos as cerca de 3 lojas do centro.

Há que decidir: sight seeing ou piscina no topo do único hotel que nos deixa entrar sem sermos hóspedes? Não hesito. Nem eu, nem a Marta nem o Frederico nem a Vani. Custa mais do que diz na bíblia mas não nos importamos. Ficamos a apanhar sol toda a tarde até sermos corridos por uns anormais de uns bifes que se atiravam em bomba para a piscina, apesar de haver sinais a dizer que era proibido.

Almoçamos no café central onde a música berra para que não se oiçam as buzinas lá de fora.

Compras, compras e mais compras.

É que nenhum dos 8 escapou. Hoje é a vez da Vanessa. O Frederico faz-lhe companhia. Jantamos num sítio altamente, com espaços vários, restaurante, bar e disco, e com um pessoal competente e muito atencioso. Pagamos pra mais de uma fortuna.

Os senhores insistem em nos mostrar as diversas salas. Aterramos numa festa monhé, ao melhor estilo mil e uma noites. Com gajas de umbigo à mostra e vestidinho dança do ventre e tudo. Altamente, altamente, altamente. Tudo, desde a decoração às indumentárias deles e delas, passando pela música. Juro que me senti num filme. Alien, contudo, que as caras deles não enganavam ninguém: quem são estes e o que raio é que eles estão aqui a fazer?

Os filhos da mãe dos taxistas de Bombaim não sabem onde é rua nenhuma. Nem mesmo a paralela ao sítio onde estão. Não sabem ler, a avaliar pela cara que fazem quando lhes mostramos um mapa. Não deixam de abanar a cabeça para a esquerda e pra direita, yes madam, yes madam, e passeiam-nos durante que tempos de um lado para o outro até nos deixarem num sítio qualquer para onde não temos interesse nenhum em ir. Eles querem nos correr do taxi pra fora e quase que nos batem a dizer que é ali que a gente quer ir. O facto de aquilo ser um hotel e nós procurarmos uma disco, e a única semelhança semântica entre os nomes de um e de outro ser o facto de começarem ambos pela letra A, é totalmente irrelevante. Obviamente não levantamos a bunda do taxi e a história acaba connosco aos berros e a gesticular: amigo, nós queremos dançar, dance, dance, you know? E ainda querem que a gente lhes pague o que vem no taxímetro, localizado de fora do carro, que nós rodamos assim que entramos e eles ficam furiosos. Ladroes, é o que eles são. Depois de andarmos por Bombaim inteira à procura de uma disco, acabamos na disco do Taj 5 estrelas hotel, às moscas, com apenas um grupo de pessoas que fazem a festa a cantar histericamente e a dançar o que julgamos serem os últimos hits do top 10 monhé. Adoro vê-los dançar.

A coisa não dura muito. O hotel é lindo. Vemos uma ratazana nojenta a passear no mesmo jardim onde os hóspedes fiiiiinos apanham sol durante o dia.

6 de Fevereiro
Chateia-me não ir a Bollywood. A única coisa que queria mesmo fazer em Bombaim. Nem sequer ao cinema fui... Eu que até fazia um casting, na boa, apesar de não ter o mínimo jeitinho para posar. Assim como assim, pra figurante não é preciso muito.

Aproveitamos para estoirar as rupias que nos restam. Foi tamanha a preocupação que acabamos a contar os trocos para o táxi que nos leva ao aeroporto.

Estes gajos são loucos varridos a conduzir e não sei como não morremos todos debaixo de um autocarro. Rodamos numa estrada de 3 faixas pra cada lado, o mais parecida possível com uma auto-estrada. A diferença é só um cruzamento que a atravessa. E os carros, motas, camiões, bicicletas e por aí fora que se nos atravessam à frente sem sequer pararem. O nosso taxista também não pára. Desvia-se... É sempre a andar!!!

Vale-me um lugar à janela. Durmo a viagem todinha que nem uma santa. Acordo como que por magia apenas para comer. 8 horinhas de sono. Foi a primeira vez que tal coisa me aconteceu num avião.

Seca de 5 horas em Charles de Gaule.

Lisboa que amanhece, fria, mas com o calor da família à minha espera.

Home at last!

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