8.11.09

In love with the groom

A cerimónia foi na Capela da Nossa Senhora do Sion, em São Paulo. A igreja era linda e estava mais linda ainda. Decorada com rosas brancas e velas, de uma simplicidade e de um bom gosto indescritíveis. Achei que estava em Hollywood...

Sentámo-nos estrategicamente cá atrás, onde a Ro já se encontrava. Com o intuito básico de descansar os joanetes, sem que ninguém se desse conta. Sentadinhas ninguém nos via. A musiquinha que tocava quando entrámos, com coro ao vivo, que apenas se ouvia, era o Aleluia e não conseguia pensar noutra coisa que não no Mr. Bean.

Esta coisa dos casamentos à noite corre o risco de parecer um funeral, por conta do dress code recomendado. No caso, não foi assim, apesar de os pretos e cinzentos dominarem claramente o recinto. As pessoas eram bonitas, os vestidos eram bonitos, os homens estavam lindos. Todos de camisa branca, ou quase todos. E os cabelos delas, fantásticos. Quem faz progressiva não precisa de ir ao cabeleireiro, ou então disfarça bem.

Fofocávamos umas com as outras, enquanto esperávamos que começasse a cerimónia. Eram pensamentos muito pouco católicos, os que nos passavam pela cabeça, quando olhámos uma e outra vez para o charmosão que se encontrava no último banco, do lado de lá. O, viemos depois a descobrir, holandês era cheio de pinta, cabelo grisalho, olhos azuis faiscantes. Tinha encontrado o marido rico que me compraria o visto.

Os noivos tinham uma série de padrinhos que entraram à frente, aos parzinhos, com parada básica para deixar espaço aos da frente, para as fotos de circunstância. Hollywood feeling once again. À medida que iam avançando, eram mais que as mães, mais pensamentos pecaminosos, libidinosos e outros que tais, me passavam pela cabeça e me saiam pelos olhos, em particular no que respeita a um dos padrinhos, um Tom Cruise de 1 metro e oitenta e cinco, magro, giro de doer, benz'ó Deus...

Alinhadinhos no altar, esperavam os seguintes. Já não me lembro bem em que momento entrou a mãe da noiva com o pai do noivo mas deve ter sido depois dos padrinhos.

Depois entrou a mãe, linda, linda, linda, com o noivo, que, independentemente de se ter esquecido de pentear o cabelo, e de ter ar de miúdo, muito miúdo, é querido, querido que só ele. Apaixonei-me imediatamente. Daquelas paixões que se têm pelos irmãozinhos mais novos.

A cada grupo de pesoas que entrava, a porta era fechada para que os seguintes se pudessem prefilar sem ninguém ver.

Depois, dois homens, um de cada lado, começam a tocar cornetas e temi o pior. Mas depois veio a musiquinha e fiquei mais tranquila, era a noiva. Deslumbrante, de vestido de cauda e véu, tudo como manda o figurino, com a cara destapada, linda.

Sem missa, o casamento foi às 8H30 da noite, os noivos fizeram os votos de microfone na mão, pra que toda a gente ouvisse.

Depois, começa a ouvir-se a música do Rei Leão e temi que aparecesse o Simba, mas não. Abrem-se mais uma vez as portas, desta vez para entrar um miúdo que era um fofo e ia andando e olhando prá esquerda e prá direita, na maior das descontrações. Era, soube depois, o sobrinho do noivo, que levava as alianças. E mais duas miúdas, vestidas de igual.

Os noivos comprimentam as respectivas famílias, no altar mesmo, assinam, virados pra nós. Houve tenor e tudo.

Ninguém sai da igreja, a ordem de saída é a mesma de entrada. À medida que vão saindo da igreja, perfilam-se lado a lado, para o devido corredor. Os noivos passam no fim, naturalmente. O que é um casamento brasileiro, minha gente. O noivo deve ter ficado fantástico, na foto de saída. Não houve rosas, nem arroz.

Saímos também, nós e o resto do povo. Cá fora, houve tempo para um cigarrinho, antes de nos enfiarmos no carro para irmos para a recepção, que foi @qui.

As imagens não são nem um milésimo do que era aquele espaço. Lindo e mais uma vez decorado com o bom gosto de quem tem mas não ostenta. Hollywood feeling, again, again, and again...

Há os tradicionais comes e bebes de entrada e a opção de nos sentarmos à mesa. Cada um se senta onde quer, não há lugares marcados. Ficámos horas a conversar na nossa mesa, as 3, a rir mais e mais, à medida que o champanhe descia, ou subia, já não sei bem... Vinham trazer-nos, a nós e a quem mais optou por se ir sentando, entradinhas boas. E atestar devidamente as flutes de champanhe.

Começou a passar um filme dos noivos no telão e juntamo-nos aos outros, na ante sala, onde era o bar, onde dançaríamos depois.

O filme acabou, o noivo agradeceu, a noiva também e começaram a dançar. Não me lembro que música era mas era boa e não era nenhuma valsa nem nada do género. E eles dançaram um com o outro, logo, sem passarem plos braços dos respectivos paizinhos e mãezinhas, que aliás, dançavam com os respectivos conjuges.

Como assim dançar??? E comer que é bom? Percebemos depois, o jantar era buffet, a gente ficava na fila e os senhores serviam-nos do outro lado. Só podia ser assim, era gente que não acabava mais. Na nossa mesa houve duas levas de pessoas que se sentaram pra jantar. Na 1ª, estava o tom cruise de 1,85m. Nós estavamos tão animadas na conversa que não 'tava nem aí. Na segunda leva, o, vimos depois, Michael Jackson, branco de raiz, super bem disposto. Mais uma vez, não estavamos nem aí.

O champanhe era muito, muito bom, eu não gosto de champanhe, a comida era boa, o tinto argentino melhor ainda.

Estive mais de 4 horas sem fumar, a beber, e nem dei por isso. Depois do jantar, sim, é sagrado.

O holandês charmosão também lá estava. Bastaram dois olhares para que se viesse juntar a nós.

Dançámos, bebemos morangoskas feitas ali à nossa frente, com morangos, que brilhavam dentro da taça de vidro, açúcar e absolute vodka.

Estavamos felizes, muito felizes. A conversa tinha sido boa, animada e inspiradora. A música estava óptima, o ambiente melhor ainda. I have a feeling, that tonight's gonna be a good night... Os senhores não paravam de passar com garrafas de champanhe e eu tive de fazer um esforço para aceitar cada taça que me ofereciam.

Estava feliz, acima de tudo, pela minha amiga Elaine. O meu marido rico só teve olhos pra ela. E, caramba, se havia mulherada em volta dele, o tempo todo. Eram às dúzias. Pareciam abelhinhas em volta do mel. A minha amiga Elaine, discreta e na dela, conquistou o holandês charmosão com meia dúzia de palavras, em voz doce e baixinha. Coisa linda de se ver...

A festa foi linda, a família do noivo é linda e a mãe e irmã uma simpatia que só visto. A beleza está directamente ligada à felicidade. Era isso que se via na cara da irmã e da mãe do noivo, e dos próprios noivos. E dos amigos dos noivos, mas acho que era mais por conta de umas misturas do demo de vodka com red bull...

Quem dançava na pista eram homens, só homens. Não sei onde raio se enfiaram as mulheres mas a verdade é que eram os homens que dominavam a pista. Um consolo.

Passámos a parte do bouquet, já apanhei dois, já me chegou.

Encontros estratégicos e imediatos cá fora, na rua, o único sítio onde se podia fumar. Devo ter fumado uns 5 cigarros o casamento todo, que acabou às 6 da manhã...

O Tom Cruise de 1,85 é de origen italiana, chama-se Marcelo e estava desgostoso. Muito desgostoso. Aproveitei para enfiar o pé na jaca, como se diz por aqui.

Você é de Portugal?
Sou, portuga de gema, disse, no meu melhor sotaque lisboeta.
E lá vocês gostam de que tipo?
Do teu tipo!
É? Tipo assim altão?
Do teu tipo, filho. [Pouco faltou pra lhe perguntar se era ceguinho...]
Cara, preciso ir pra lá.
Vai, filho, vai. Vais fazer um sucesso!
Homem que fala italiano e mulher que fala francês..., diz uma moça que estava connosco...
Foi o suficiente: tu falas italiano e eu falo francês, boa?
Só olhou pra mim, nem me respondeu.
A moça fugiu imediatamente e ele chamou-a, como pôde, como conseguiu, com o braço, para enfatizar. Os desgostos de amor entaramelam-nos a língua...
Tás com medo? Eu não mordo...
Não?
Não, quer dizer...
Aproveitou que a moça chegou e disse: vou entrar, vocês vão entrar também, né?
Sim, filho...

3.11.09

Ibiúna

Fauna e flora de todas as espécies e mais algumas. Fim-de-semana de sol, céu azul e calor. Longe do computador, em contacto com a natureza. Árvores de todos os tipos, flores com cores indescritíveis. Uma represa que parece um espelho, quando iluminada pela lua cheia, linda de morrer. Um sossego, um descanso, noites bem dormidas, sem insónias nem dores nas costas, manhãs luminosas ao som dos sabiás. Gargalhadas muitas, conversa boa, companhia do melhor. Com direito a Sushi, o cachorrinho que sorri o tempo todo. Foi assim o fim-de-semana, numa casa de novela, linda, com bom gosto, discreta, confortável, tudo mas tudo de bom, ou seja, tudo a que temos direito.

[Haveria uma foto de uma brumélia que é um espectáculo, não fosse ter-me esquecido do cabo da máquina, em Lisboa...]

29.10.09

Estou convencida de que a expressão "jogo de cintura" foi inventada pelo mesmo gajo que inventou o Samba...

26.10.09

DÊMÔRÔ!!!

17.10.09

Millôr Genial

13.9.09

Saudades...


Foto roubada à Nenecs

29.7.09

Museu do futebol

Fica no Pacaembú, um estádio municipal, e é um espectáculo. Cá em baixo estão os galhardetes e as camisetas e diversas variantes do jogo do botão. A parte mais gira é quando se sobe, estamos mesmo por baixo das bancadas e há écrãs com imagens sempre diferentes, de vários jogos. Tem alturas em que de um lado está a torcida que está a ganhar e do outro a que está a perder. Mostra as reacções de ambas aos golos, de um lado e de outro, como se estivéssemos mesmo num estádio. O barulho é imenso e damos por nós a abanar a perninha. A torcida do corinthians é sem dúvida a mais animada.

Tem fotos, milhentas fotos. E tem uma coisa muito engraçada que são as datas e as imagens das copas do mundo com os acontecimentos históricos da época, escritos.

Tem milhentas coisas e vale uma segunda visita, de bloco de notas em punho. Por falar nisso, alguém viu o meu Moleskine?

13.7.09

O cabelereiro aqui do bairro é como os museus, fecha à 2ª feira...

25º em SP

O céu está completamente azul e o sol brilha a 25º. São Paulo parou de chorar, agora é a minha vez...

11.7.09

Chove sem parar há 2 dias

São Paulo chora a minha partida, a modéstia impede-me de pensar de outra forma, fora que esta é a expressão que se usa no Brasil neste tipo de coisa. São Paulo chora sem parar, copiosamente. Eu ainda não comecei e já entendi e agradeço, com alguma comoção. Então, pó parar, pufavô, pó parar...

9.7.09

9 de Julho

Sou caboclo brasileiro
Das colinas altaneiras
Onde canta os violeiros
Canta o sabiá colera
Sou matuto das queimada
Desta terra brasileira
Onde é bem representada
Nas cor da nossa bandeira

Sou caboclo legionário
Um Bandeirante Paulista
Combatente voluntário
Brasileiro realista
Cada cruiz no calendário
É dum herói nacionalista
E cubrimo seu calvário
No emblema das treze lista

Marchando com todo orgulho
No desfile da parada
O dia nove de julho
Data sempre relembrada
Abraçando com a Bandeira
Das treze lista pautada
São treze lanças guerreira
Guardando a paz consagrada

Bandeira preta listada
Gravada em nossa memória
No berço dos bandeirantes
No livro da nossa história
Cada lista é uma trincheira
Cada trincheira é uma glória
E trás do topo vermelho
Monumento da glória


*Bandeira de São Paulo

30.6.09

Qualidade de vida é viajar sem malas de porão!

"Olha o jeito nas cadêra que ela sabe dar..."

Jantar no Genésio, samba no Ó do Borogodó. Altamente recomendável, segundas-feiras são o dia.

Se o forró são dois pra lá, dois pra cá, com voltinha ocasional, o Samba são outros quinhentos. A velocidade a que se mexem os pezinhos deixa-me tonta e acho sinceramente que está no sangue, que elas já nascem ensinadas, que nunca aprenderam, nunca tiveram aulas. Acho, sem falsa modéstia ou complexo, que jamais conseguirei sambar, falta-me coordenação de movimentos da cintura pra baixo, falta-me samba no sangue. Ver sambar é bonito!

29.6.09

Salvador é tudo isto e muito mais

Salvador é o Farol da Barra, o Porto da Barra e o Elevador Lacerda. Salvador é o bondinho. Salvador é Itapoã, é uma casinha no Rio Vermelho à nossa espera, onde há gente que entra e sai e gente que fica. Salvador são sorrisos, risos e silêncios partilhados. Salvador são os Capitães da Areia, Salvador é Acarajé da Dinha, é Skol geladinha e cravinho. É teatro e mais teatro. É a rua da paciência e a da preguiça. São praias umas atrás das outras, é mar que não acaba nunca. Salvador é Bahia de todos os santos, é um mar com caravelas imaginárias, barquinhos estacionados mar afora. Salvador é Iemanjá, Oxum e Ogum. Salvador é candomblé e ubanda. Salvador é 100% negro, com 50% índio, outros tantos por cento português. Salvador é Pelô, é Castro Alves, é Jorge Amado. Salvador é Caetano e Michael Jackson. Salvador é batucada e silêncio. Salvador é o Mercado Modelo. Salvador é herança, é corte portuguesa. Salvador é colorida, é ladeira acima, ladeira abaixo. É calçada portuguesa e ruas de paralelipípedo. Salvador é andar devagar, é falar arrastado. Salvador é São João e todos os santos e santas deste mundo. Salvador são 365 igrejas. Salvador são todos os credos. Salvador é Bonfim e as suas fitinhas coloridas. Salvador são senhoras vestidas de branco dos pés à cabeça, parecem saídas de um filme. Salvador é negão e neguinho. Salvador é calor e muito calor. Salvador é leve, na roupa e nos pés. Salvador é de shortinho e de chinelo. Salvador é estar de férias permanentemente. Salvador é matar saudades, Salvador é chegar a casa. Salvador é ter alguém à minha espera num sítio qualquer. À chegada e na partida, sabe Deus em que condições.
[Obrigada André, mesmo, não tenho como agradecer-te. Beijos e saudades.]

Solar do Unhão


O Solar do Unhão é mais ou menos assim e é lindo. Porque não há fotos que retratem o impacto que as coisas têm em nós. Era um antigo engenho de açúcar e hoje comporta, entre outras coisas, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, um cais privativo, o MAM da Bahia, cuja escada para o piso superior é por si só uma obra de arte, um bar lindo, lindo, sem música, as conversas rolam ao som das ondas. A parecer uma gruta, o arco manteve-se mas o ambiente é novo.

Estivemos no Solar durante o dia e de noite e não somos capazes de dizer do que gostámos mais. Se do marzão à nossa frente, se das cores vermelho e branco de todos os edifícios, conservados primorosamente, se de quê. De noite, os ciprestes e a luz suave que os ilumina, a eles e ao nosso caminho, o barulho do mar ao fundo e as luzinhas das casas da encosta tornam-no ainda mais encantador. Também tem um cinema e um espaço onde rola jazz todos os sábados, ao ar livre. Foi lá que estivemos e estivemos muito bem. Um som do cacete, uma banda que toca e convida músicos vários, para ir lá dar um ar da sua graça. Músicos bons, trompetistas melhores ainda, tudo quanto é instrumento, uma combinação de acordes fabulosa. Eles a gostar tanto quanto nós. Uma animação só. Para acabar, Billy Jean instrumental, o delírio da galera. Só sucesso! Estava com a esperança de que um DJ tomasse conta da coisa e virasse festão. O lugar presta-se a isso, as pessoas estavam com vontade. Não aconteceu. Nós estávamos animados e o Pelô esperava-nos, lotado. Do jazz pró forró, assim é Salvador.

Pelô


Como é lindo o Pelourinho... As casas cada uma de sua cor, as ruas de paralelipipedo, a música que sai das janelas e o cheirinho da comida no ar. A criançada a lançar foguinhos, os seus risinhos nervosos, a fugir do barulho e do estalido do fogo, na rua, sempre na rua. As pessoas que sobem e descem as ruas, com ar saudável que só a praia dá.

Sábado, de noite, tá cedo ainda. Praça Jorge Amado cheia de luz e de gente, lotada. Bancas a vender de um tudo. Gente que não acaba mais. São João emendado no fim-de-semana. O Pelô bomba, há uma banda a tocar, forró. Dois pra lá, dois pra cá. Os meus dois pés esquerdos até atinam. Pausa básica prós meninos irem à casa de banho. Nem sei de onde eles vieram. Um agarra a Bruna, o outro a mim. Sem perguntas, sem mais mais. Ainda lhe disse: eu não sei... Você vai aprender. E vai, dois pra cá, dois pra lá. Assim é o Pelô, assim é Salvador. A música acaba e o André e o Vini, que entretanto voltaram, assistem à cena. Oi, oi, passou bem pra cá, passou bem pra lá, conversa pra cá, conversa pra lá, eles vão e nós ficamos, os 4, de novo. Assim é o Pelô, assim é Salvador. Já disse que adoro Salvador? Eu ADORO Salvador. Eita cidade linda da porra!

[A foto não é minha. Aliás, não tirei foto nenhuma, uma vergonha...]

27.6.09

Eu AMO a Bahia

Ah como eu gosto da Bahia, só neguinhos de tronco nu, havaiana no pé e calor, calor, calor. Andar de alcinhas a qualquer hora do dia ou da noite é coisinha de que tínhamos muitas, mesmo muitas saudades. O ritmo é lento, as pessoas sofrem do sindroma mosca tsé tsé. Se há capacidade do ser humano que nos encanta é a de nos adaptarmos com a maior das facilidades aos diferentes habitats. Há os que nos serão sempre estranhos, há os que, nunca os tendo frequentado, são como que o nosso habitat natural. A Bahia é decididamente um dos nossos habitats mais naturais. São Paulo também, vai entender...

24.6.09

Salvador

Estar em Salvador é estar em Portugal. É pisar calçada lisboeta, passar por Sesimbra, saltar ao Baleal, à praia dos barcos e à grande, do lado do Baleal, passando pela praia da Crismina, perto do Guincho, chegar a Évora, à Batalha, à capelinha a caminho de casa do Baleal, em tempo real.

Tem baianas vestidas a rigor, acarajé em cada esquina, Skol geladinha também. Ontem foi dia de São João. Rola festa braba no nordeste do país e no interior da Bahia. Salvador não tem grande tradição mas o Pelourinho bombou, como bomba toda a 3a feira, e rolou festa e histórias pra contar. Das que a gente gosta, que não se sabe se são verdade ou lenda, as melhores.

Quanto às famosas 365 igrejas, uma para cada dia do ano, é cada uma mais bonita do que a outra, o mais portugas possível. Às 3 e 4 por praca. Nao será por falta de local de culto...

Ainda há os edificios que foram construídos para albergar nababamente a corte portuguesa. Fora que eram sempre nuns lugares com um vistaço de tirar a respiração. Não há nada que substitua o mar. Cidade com mar é outra coisa e a colorida Salvador é demais!

No primeiro dia foi difícil olhar pra outro lado que não fosse o mar. A gente só percebe a falta que nos faz quando passamos meses e meses sem o ver e o voltamos a ver na frente dos nossos olhos, gigantesco, debruado pela Bahia de todos os Santos. Para um portuga que se preze, chega a ser hipnótico.

Os portugueses chegaram a Porto Seguro, diz-se, mas fartavam-se de atracar em Salvador.

De resto, como em todo o Brasil, sou excelentemente tratada. Sou pessoa pra me habituar rapidinho...

21.6.09

Verão

Diz que hoje começa oficialmente o Verão no hemisfério norte. Ao que tenho lido, parece que já começou há uns meses e que a Primavera é que não deu as caras.

Aqui, supostamente, começa o Inverno. O dia é de sol e está calorzinho. Amanhã vamos prá Bahia, onde é sempre Verão!

19.6.09

O crime da rua do arvoredo

Reza a lenda que, na rua do arvoredo, havia um talho, aqui diz-se açougue, cujo proprietário era um alemão. A uma dada altura, sentiu-se a rua mais vazia de gente, o povo simplesmente desaparecia sem deixar rasto. Parece que o alemão os apanhava a jeito, os cortava às postas e os mais tenrinhos eram vendidos no açougue. O sacana pôs os gaúchos, fãs de um bom churrasco, a comer carne humana, sem que estes fizessem a mínima ideia, como é óbvio. Vai saber se é verdade...

Rio Grande das estrelas

Jorge Furtado, realizador e dos bons, Verissimo, pai e filho, Quintana, Josué Guimarães, Monteiro Lobato, Elis, Adriana Calcanhoto, Lupicínio, Nei Lisboa, (na música nunca mais saíamos daqui...), Vasco Prado e Iberê Camargo, Diane dos Santos, a ginasta olímpica mais engraçada de todos os tempos, Felipão, Ronaldinho Gaúcho, Dunga, que fazia parte da equipa tetra campeã em 94, até uma miss universo saiu do Rio Grande... E mais, Silvaninha, e mais?

Porto Alegre, a cidade que não existe.

Podem procurar, clicar na imagem para ampliar, nenhuma das que se segue vêm no mapa, mas nós estivemos lá e vimo-las todinhas, a saber: Praça da Matriz, Praça da Alfândega, Parque da Redenção, Rua da Praia, Rio Guaíba, Parque da Harmonia, Rua da Ladeira, Rua do Arvoredo, Rua do Livreiro, Rua da Bronze, Parcão...

E mais, Silvaninha, e mais?

Tudo isto acontece, porque depois da Revolução Farroupilha, na qual Porto Alegre ficou de fora (aguardai post sobre o assunto), foram mudados muitos dos nomes das ruas e praças da cidade. Os gaúchos, no entanto, continuam a usar os nomes antigos.

O Castelinho do Alto da Bronze

Um homem, completamente apaixonado e muito ciumento, mandou construir este castelinho, tão querido e de janelas tão mínimas, para manter prisioneira a sua apaixnada. O homem era casado com outra e esta, a que ficava aqui encarcerada, era linda e vive até hoje. Diz que a uma certa altura conseguiu fugir, o que lhe deve ter dado imenso trabalho, porque o homem controlava cada passo que ela dava, e, quando andava nos seus afazeres fora, tinha as empregadas a fazer o servicinho por ele. O castelo, apesar de cinzento, é bonito.

18.6.09

Usina

A Usina do Gasômetro alberga uma exposição de fotos de Porto Alegre, desde a década de 20 até ao ano 2000. Conta a história da cidade e faz jus aos génios que deu a conhecer ao mundo.

Dela se vê o pôr-do-sol mais lindo do mundo, no Guaíba. Às vezes não se vê, por conta do fudunço de adolescentes, trajados da forma mais bizarra, e de qualquer evento que metia cultura japonesa. Num sábado de sol, o terraço estava fechado por conta dos aborrecentes. O máximo que pode acontecer é um deles cair lá abaixo, e daí? By Sil!

Cá fora vende-se quentão, que é mesmo, mesmo a ferver: tinto, cachaça que evapora, canela, cravo e tais. Aquece as mãos e a alma, já que os pés, só com botijinha...

Nas margens do Guaíba 3



Casa de cultura 2

Este jardinzinho, catita que só ele, fica na casa de cultura também. O edifício é de um rosa imponente e lá dentro há de tudo, desde exposições a bibliotecas, infantis e juvenis e de adultos, com livros pra pedir emprestado.

Lá em cima, há um café lindo de morrer, com saída para o terraço. O tempo não convidava, a vontade de fumar sim. Ficámos lá fora, onde degustámos um cafezinho esperto. Paguei pra mais de uma fortuna por um maço de cigarros, que deitei fora porque eram intragáveis. Pra eu não conseguir fumar um cigarro é preciso muito, no caso, saber de tal maneira mal que até hoje o cheiro da caixa onde os enfiei, a arejar lá fora desde ontem, me dá náuseas. Coisa nojenta, deus me livre. Era suposto saberem a menta, sabiam mal, mal, mal... Não fosse a excelente companhia, e o expressozinho esperto, e ter-me-iam posto mal-disposta pro resto do dia.

Casa de cultura Mário Quintana*



*Ex-Hotel Magestic

17.6.09

Nas margens do Guaíba 2







Nas margens do Guaíba





Quintana

Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Mário Quintana nasceu em Alegrete, Estado do Rio Grande do Sul, mas era mais porto alegrense do que muitos gaúchos da capital. Com esta cara de avozinho, é uma das referências da literatura brasileira, um poeta dos nossos tempos.

Quando guri, eu tinha de me calar à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.

Vivia no Hotel Majestic, hoje casa da cultura que lhe presta homenagem, e passeava-se pela praça da Alfândega, pela rua da Praia, enquanto não estava na redacção do Correio do Povo, jornal sem grande expressão hoje em dia mas uma referência da imprensa gaúcha. Antes disso, trabalhou na Livraria do Globo, sob a direção de Erico Verissimo.

Humilde como poucos, Cair no agrado do público é um feliz acidente, a sua poesia caracterizava-se também muito pela ironia e pela frontalidade com que abordava certos temas, coisa permitida aos génios reconhecidos, ou aos loucos sem temor. O melhor das crianças são as suas babás.

Escrevia por necessidade, a necessidade de quem se expressa através da poesia é ainda mais permente, é insatisfação permanente. Pensar num determinado leitor - ou leitores - prejudica a naturalidade. Tradutor também, também um pensador. A Alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe. O passado não reconhece o seu lugar, está sempre presente.

Na casa de cultura, há uma sala fechada que permanece como se do quarto do Quintana no Majestic se tratasse. Estão lá os óculos deles, a cama por fazer, os livros nas prateleiras. Estão papéis amachucados no cesto, estão manuscritos em cima da mesa e beatas no cinzeiro. Do lado de fora, há uma foto do quarto tirada na época. A gente sente-se mais próxima do Quintana quando lhe entramos na intimidade, através da janela aberta na parede.

O futuro é uma espécie de banco ao qual vamos remetendo, um a um, os cheques de nossas esperanças. Ora não é possível que todos os cheques sejam todos sem fundo.

Amén!

Anos 80

Punks de cara deslavada - ainda nem pêlos da barba tinham, nem sequer borbulhas no rosto - e outros looks urbano-depressivos dos anos 80, no Parque da Redenção, domingo passado. Não via punks desde 89, em Londres.

Mentira, o último que vi foi em Berlim, já no novo milénio, deveria ter a minha idade. Mais velho, era certamente mais velho. Foi dos que parou nos anos 80.

10.6.09

Chimarrão

Beber chimarrão é cultural e é levado muito a sério. A cuia é um objecto lindo de morrer e a bomba também. Os gaúchos carregam a cuia, cheia de erva-mate, e a garrafa térmica pra todo o lado, é um arsenal mas eles não dispensam. Toda a gente toma, crianças e adultos. Há até quem tenha uma mateira, que torna a coisa mais fácil. Pomos a garrafa térmica e a cuia na mateira e carregamo-la a tiracolo. É um vício como o do nosso café expresso. Mais do que isso, é um cachimbo da paz que não se fuma, é um charro que, apesar de feito com erva, não bate e se bebe, em vez de se fumar, tem uma ordem certa pra se passar de mão em mão e não se deve ficar com ele na mão mais do que o estritamente necessário, ou seja: pra beber depressinha até roncar, sinal de que tem de se acrescentar mais água quente e passar ao próximo. A água não ferve, tem um ponto. O ponto do chiar da chaleira. Assim que começa a chiar, é apagar o lume, pôr a água na na cuia, já devidamente cheia de erva mate, e degustar.

Bebi chimarrão sem entupir a bomba e até agora tou pra perceber como é que não comi erva. Pra mim é um mistério insondável... Sabe a chá verde. Portei-me muito bem, nem pedi açúcar nem nada. Deixei roncar no fim e passei sem dizer obrigado. Porque aí quereria dizer que já não quero mais.

É tão bom que até o Papa bebia...

8.6.09

POA, aí vou eu! 3

Se amanhã uma estranha te bater à porta, deixa-a entrar :-)
Até amanhã, querida mia!

2.6.09

Eu queria era ver-vos na Missinha com o Padre Lereno...

Ontem fomos à missa. A igreja não estava toda iluminada mas estava cheia. Missa católica, estilo padre Marcelo, também conhecido como o padre forrobodó. Foi nesta mesma igreja que o Padre Marcelo começou, antes de chegar ao estrelato. As pessoas espalhavam-se de tal maneira pela rua fora, que a rua bloqueava, de tanta gente que queria assistir à Missa.

Ontem, 2ª feira, não havia o movimento de outros tempos mas a igreja estava cheia e as pessoas não paravam de chegar. Quando entrámos, tudo de joelhos, a missa tinha começado às 7H30 e havia um senhor fervorosamente agarrado à Nossa Senhora. Imagens alusivas à última ceia, estrela de David na parede. Só vidro e azulejo, tudo vidro e azulejo. O padre parece o Vale e Azevedo. Nos corredores de fora, pessoas vestidas com coletes laranja rezam o terço, de pé, sem parar, e observam todos os fieis. Diz que é pra proteger dos maus espíritos. A missa é católica mas nesta altura do campeonato ainda não dá pra perceber.

Levanta-se tudo. Estamos num concerto da Sheryl Crowe e ninguém me avisou. A cantoria é braba, com direito a braços no ar e palmas ao ritmo da música. Bateria e guitarra a acompanhar.

A Nossa Senhora vem pró fundo da Igreja e vai avançando, nas mãos do mesmo homem que a agarrava há pouco. Tem um coração vermelho gigante a saltar-lhe do peito. O padre aconselha as pessoas a tocar-lhe. O povo obedece. A Nossa Senhora chega finalmente ao altar. Pausa para que a Carla, vem aqui Carla, que tinha chegado e nem a benção tinha pedido, malcriada, na pressa de pedir ao padre que rezasse pla mãe, que está no hospital, pudesse, também ela, tocar na Nossa Senhora. Viva a Nossa Senhora, palmas prá Nossa Senhora! Reza-se uma Avé Maria e já está.

Uma freirinha fala ao microfone, é difícil identificar onde se encaixa o que ela fala, na missa tradicional. É ali entre a primeira leitura e outra coisa qualquer que não me lembro... A gente pensa enquanto ela fala. Diz que temos a mania que somos superiores aos outros, facto! O padre acrescenta que só nos sentimos bem quando estamos numa posição de superioridade em relação aos outros. E por aí vai... Nada de novo, tudo para aprender.

Faixa três do último CD, primeiro lugar dos tops! Estamos no Evangelho. O povo canta a plenos pulmões, abana-se, braços no ar, bate palmas.

Não há Credo! Em compensação, há salvas de palmas com frequência.

Na homilia, o padre vem pela igreja a fora a falar. Afinal não é igual ao Vale e Azevedo, podia bem ser transmontano... A homilia é interrompida por música avulsa, a cada quarto de hora. O padre apresenta-se como homem normal que é, faz perguntas, confronta, numa linguagem acessível a toda a gente, velhos, novos, povo, menos povo. Faz-nos pensar. Em pessoas, em situações.

Há quem vá ao ginásio, há quem faça terapia, há quem vá à missa, penso, o propósito é o mesmo, o método é diferente. Cada um na sua, cada um no que mais e melhor o convence. Deus nos ajude.

Agora cantam só as mulheres, agora cantam só os homens. Agora vire-se para o lado e diga: eu quero ser mais santa. E as pessoas dizem, com toda a convicção, de quem tem Jesus no coração. Apetece-me perguntar o que é isso da santidade e do pecar, porque, afinal, Jesus quer ver-nos felizes... Enfim...

“Eu vou amar porque sozinho eu não posso mais”. O povo canta, com todo o vigor, com toda a pujança. Este foi o mote de toda a missa. Assim será durante 15 dias.

Chega a hora de acender as velas. Meio mundo sai de dentro da Igreja pró átrio. O padre avisa, se não é pra rezar, mais vale não comprar vela, muito menos acendê-la. Tal como num concerto, a luz também muda. Quando voltamos a entrar, as luzes estão todas apagadas e só as velas, a 4 reais cada uma, divino Pai Eterno, estão acesas, directamente da chama do sírio pascal.

Luzes de novo. Música, sempre música, algumas com direito a coreografia e tudo. Uma animação!

É hora da bênção. A luz muda de novo, para uma mais intimista, é a parte dos isqueiros acesos e das mãozinhas no ar. As pessoas sacam de tudo, desde garrafas de água, fotografias, documentos, chaves de casa, RG (o nosso BI) fotocópias de qualquer coisa, é inacreditável. Ele sugere o passaporte, não tinha trazido, nem sequer a foto do Joãozinho tinha comigo pra ser abençoada. Pensei em erguer a pena, estendi apenas as chaves de casa. E acho que pensar já tá valendo, certo? Estamos ali com a caneta e o moleskine na bolsa, ele abençoa-nos, e aos nossos pensamentos que, garanto, eram todos puros. Uns ministros pegam num ramo de salsa, molham no em água benta e respingam por cima dos fieis, Igreja afora. Alguma gota há-de ter tocado a minha caneta.

Não há beijinhos pra ninguém na Paz de Cristo, em compensação o Cordeiro é uma animação só. Nesta altura do campeonato, não canto mas já abano a perninha.

As pessoas comungam pra caramba, mas é rápido. Estamos quase no fim, já lá vão mais de 2 horas. Chegamos à parte em que o povo cai...

O Padre vem com aquela coisa onde se põe a hóstia, que parece um sol, em frente à cara, literalmente em frente à cara. Em riste, eu diria. Vem pelo corredor central, volta-se pra esquerda e pra direita. Diz umas coisas sem parar, de olhos semi-cerrados, põe a mão na cabeça de algumas pessoas. Vai pondo e vai largando. O séquito, os tais de coletes verdes e/ou laranja, com a imagem da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro nas costas, acompanham o padre e põem as mãozinhas nas costas das pessoas, na cabeça das quais o padre põe a sua própria mão, devidamente coberta, é como se fosse um bolso do próprio manto que o cobre. Que nesta altura é branco, no início da Missa era vermelho. Perdi a parte em que ele trocou de roupa.

O séquito acompanha o padre e evita que as pessoas que caem, o façam desamparadas. Até agora ninguém caiu. Ele vem pelo meu lado agora, passa por mim e põe a mão na cabeça da rapariga de colete laranja que tinha estado a rezar a missa toda. Ela, que já tinha feito uma careta aquando da bênção, voltou a fazer outra quando o padre tirava a mão da cabeça dela e o manto se arrastava, desalinhando-lhe os cabelos.

Lá atrás caem duas pessoas, ali ficam no chão, estava um frio horroroso, até que se levantem. Ninguém lhes toca. Não sei qual é o critério do cair nem porque é que o padre fica mais tempo numas pessoas do que noutras, só sei que no fim ele grita Viva Jesus, e toda a gente berra: VIVA! E se vai embora, com uma cara bem mais alegre do que entrou, tendo, acima de tudo em conta, que a Missa durou mais de duas horas e meia.

Curiosidade intelectual

No outro dia, 23 de Maio, fomos a um ritual cigano em homenagem à Santa Sara. (Ver post abaixo). A padroeira das gravidezes e tal.

Chegámos e o primeiro passo é pôr as frutas, que supostamente deveriamos ter trazido, na cestinha, que fica lá fora até dia 25. As frutas são para os ancestrais, as que resistirem aos passarinhos, aos macaquinhos e demais animais que por ali passassem, são devolvidas à natureza no dia 25. As frutas eram à escolha, o desejo de morangos (sedução) levou-me a pôr lá um, e uma maçãzinha (amor) só pra garantir. Os morangos aqui são de comer rezando...

Lá dentro, que cá fora, apesar da fogueira, estava um frio desgraçado, deu-se início ao ritual. Na sala, onde só se entra descalço e de lenço na cabeça, sinal de respeito, havia um altar à santa Sara, à esquerda, frutas pra todos os gostos ao centro, e pão, bem bom, descobrimos depois, do lado direito, por cima da imagem da santa.

A mentora da coisa conta a história da santa Sara e explica o ritual. 4 homens, em diferentes pontos da sala, representavam os 4 pontos cardeais, e tinham um nome para cada um. Alguns insights depois, escrevemos numa tábua, de um lado, aquilo de que nos queríamos livrar, ou manter afastado, e do outro, o que queríamos pra nós. Para depois queimar na fogueira, porque diz que o fogo transmuta.

Atirámos com as tábuas prá fogueira, todos em rodinha, comemos caldo, bebemos chá, vinho carregadinho de gengibre, e pão. Todos de mãos dadas, a música a bombar, em 2 rodinhas, de um lado para o outro, em contra-ciclo. Quem queria dançar, dançou. As mulheres tinham sido previamente aconselhadas a levar saia. Eu fui de calças de ganga, como sempre, mas quase todas aderiram ao repto. Depois percebi porquê, as saias compridas na dança têm o mesmo efeito dos lenços, sensualidade. [Devo ter no máximo umas 3 saias e não trouxe nenhuma...]

Tivemos direito a vela, ungida com óleo especial, para acender em caso de emergência, e a um pacotinho com uma ametista, e umas 3 sementes diferentes, cada uma com seu significado, fechado com a cera da vela, acompanhado de uma oração. Quando foi a minha vez, a Mila teve de ser mais fervorosa porque não só o pacotinho não queria fechar, há coisas a transmutar e tu estás a resisitir, como a ametista fugia. O que representará a ametista? Não sabemos, mas o pacotinho serve de amuleto, pra guardarmos onde quisermos, ou andarmos com ele...

Tudo teve um significado que não escrevi e do qual, portanto, não me lembro. Mas foi bonito!

1.6.09

Girondino

Ali em frente à Igreja de São Bento, o Girondino, local do primeiro conclave portuga em SP, 2009, é precisamente do tempo do café. Tal como o nosso Martinho da Arcada, o Girondino era o preferido das rodas literárias e boémias de São Paulo. Hoje, é um espaço giro que se farta, quentinho, madeira escura, parece norte europeu, e tem um painel alusivo aos tempos do café. O máximo que o conclave portuga fez, em nome da literatura, foi beber umas bujas e falar da vida em SP, que não é má, nada má.

31.5.09

Brunch na Padoca ao Domingo

Não adianta, o bolo de chocolate do Pão de Açúcar não presta. Bom, bom é bolo de padaria. Esta tarte (eles chamam-lhe torta) simplesmente não existe de boa. Estamos viciadas. Há em todos os tamanhos, miniatura, tamanho de bolo individual e deste tamanho, sempre com o mesmo sabor, divino! Levava tudo pra Lisboa, tudo! Mas aí, era uma chatice, porque ficava sem, aqui. E toda a gente me diz que eu voltarei e ficarei. Toda a gente! Eu mereço!

Maratona de São Paulo


Ano passado foi assim. Hoje tá uma ventosga do cacete. Ainda alguém cai daquela ponte abaixo. As rajadas são fortes, tá tudo a bater... E a Silvia foi pra um churrasco com mais de 100 pessoas...

Transmissão televisiva ao vivo para o Brasil e para o mundo por meio da Globo Internacional, num total de 115 países. Além dos 42,1 quilômetros, o evento contará com corridas de 10 e 25 quilômetros, totalizando 15 mil corredores.

Foto

27.5.09

E por amor de Cristo lhes peço que percam a má opinião que até aqui do Brasil tinham, porque, lhes falo verdade, se houvesse paraíso na terra, eu diria que agora o havia no Brasil. Ruy Pereira, jesuíta, 1560.

São Paulo - Páteo do Colégio

Pátio do Colégio é o marco inicial no nascimento da cidade de São Paulo.

Sob os olhares curiosos dos Guainás e Tupiniquins, um grupo de treze padres da Companhia de Jesus, da qual faziam parte José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, escalaram a serra do mar chegando ao planalto de Piratininga. Do ponto de vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita: situava-se numa colina alta e plana, cercada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú.

Reuniram-se em torno de uma cabana construída pelo cacique Tibiriça, no planalto de Inhapuambuçu, e ali celebraram a famosa missa de 25 de janeiro de 1554. A data corresponde ao dia da conversão do apóstolo Paulo que, por sua vez, justifica o nome dado à cidade. Desde então, essa solenidade constitui-se na certidão do nascimento de São Paulo.


Foto

São Paulo - Os tribunais

Não é por nada mas os edifícios mais bonitos desta cidade são os Tribunais. E o Teatro Nacional, claro, esse, sem dúvida, o mais bonito de todos.

São Paulo - a Sé

A Sé é bem mais bonita por fora do que por dentro. O interior é cinzento e aquele efeito do gótico, de colunas pontudas, a subir, a subir por lá fora, até às nuvens, de forma a que pensemos que olhamos para o céu, são religiosamente muito simbólicas, mas para esta que vos escreve, a sensação é de estranheza. E não é boa...

Contrariamente a São Bento, de dentro da Sé apetece fugir, talvez seja da quantidade de gente morta que jaz pra sempre debaixo dos nossos pés.

São Paulo - São Bento

Contrariamente às nossas igrejas, aquela coisa clean e fria como o raio, por conta do mármore, a característica desta é, para além dos sempre lindos vitrais, a madeira escura do jacarandá com que são feitos os bancos, os confessionários, os púlpitos e os bancos tipo parlamento inglês, onde se sentam os padres, e que ficam entre o povo e o altar. Os carrilhões são gigantescos. É lindo, apesar de escuro.

São Paulo - Estação da Luz

São Paulo - Edifício Martinelli

São Paulo 2

Da torre, localizada no 35º andar - a gente sobe 26 andares num elevador, mais 6 noutro, e o resto a pé – a vista, 360º, é assim, alucinante...



São Paulo - Ex-Banespa, actual Santander: A torre.

Ex-Banespa, actual Santander.

O edifício Altino Arantes, inaugurado a 27 de Junho de 1947, foi, durante 20 anos, o prédio mais alto da cidade e em 1948, a maior estrutura de betão armado do mundo. Foi projectado por Plínio Botelho do Amaral, que se inspirou no Empire State Building de NY. O edifício tem 161 metros de altura, 900 degraus e 1119 janelas.

*A foto não é minha

São Paulo - 1º Banco do Brasil



Onde há uma série de espectáculos a acontecer todos os dias, a todas as horas. Concertos, peças de teatro, exposições, cinema, enfim, é um mundo!

São Paulo

Este é o lustre que fica no átrio do edifício ex-Banespa, actual Santander.

Tem nada mais, nada menos do que 13 metros de altura, 2 metros de diâmetro, 900 lâmpadas, 10 mil peças e pesa cerca de 1,5 tonelada.