A cerimónia foi na Capela da Nossa Senhora do Sion, em São Paulo. A igreja era linda e estava mais linda ainda. Decorada com rosas brancas e velas, de uma simplicidade e de um bom gosto indescritíveis. Achei que estava em Hollywood...
Sentámo-nos estrategicamente cá atrás, onde a Ro já se encontrava. Com o intuito básico de descansar os joanetes, sem que ninguém se desse conta. Sentadinhas ninguém nos via. A musiquinha que tocava quando entrámos, com coro ao vivo, que apenas se ouvia, era o Aleluia e não conseguia pensar noutra coisa que não no Mr. Bean.
Esta coisa dos casamentos à noite corre o risco de parecer um funeral, por conta do dress code recomendado. No caso, não foi assim, apesar de os pretos e cinzentos dominarem claramente o recinto. As pessoas eram bonitas, os vestidos eram bonitos, os homens estavam lindos. Todos de camisa branca, ou quase todos. E os cabelos delas, fantásticos. Quem faz progressiva não precisa de ir ao cabeleireiro, ou então disfarça bem.
Fofocávamos umas com as outras, enquanto esperávamos que começasse a cerimónia. Eram pensamentos muito pouco católicos, os que nos passavam pela cabeça, quando olhámos uma e outra vez para o charmosão que se encontrava no último banco, do lado de lá. O, viemos depois a descobrir, holandês era cheio de pinta, cabelo grisalho, olhos azuis faiscantes. Tinha encontrado o marido rico que me compraria o visto.
Os noivos tinham uma série de padrinhos que entraram à frente, aos parzinhos, com parada básica para deixar espaço aos da frente, para as fotos de circunstância. Hollywood feeling once again. À medida que iam avançando, eram mais que as mães, mais pensamentos pecaminosos, libidinosos e outros que tais, me passavam pela cabeça e me saiam pelos olhos, em particular no que respeita a um dos padrinhos, um Tom Cruise de 1 metro e oitenta e cinco, magro, giro de doer, benz'ó Deus...
Alinhadinhos no altar, esperavam os seguintes. Já não me lembro bem em que momento entrou a mãe da noiva com o pai do noivo mas deve ter sido depois dos padrinhos.
Depois entrou a mãe, linda, linda, linda, com o noivo, que, independentemente de se ter esquecido de pentear o cabelo, e de ter ar de miúdo, muito miúdo, é querido, querido que só ele. Apaixonei-me imediatamente. Daquelas paixões que se têm pelos irmãozinhos mais novos.
A cada grupo de pesoas que entrava, a porta era fechada para que os seguintes se pudessem prefilar sem ninguém ver.
Depois, dois homens, um de cada lado, começam a tocar cornetas e temi o pior. Mas depois veio a musiquinha e fiquei mais tranquila, era a noiva. Deslumbrante, de vestido de cauda e véu, tudo como manda o figurino, com a cara destapada, linda.
Sem missa, o casamento foi às 8H30 da noite, os noivos fizeram os votos de microfone na mão, pra que toda a gente ouvisse.
Depois, começa a ouvir-se a música do Rei Leão e temi que aparecesse o Simba, mas não. Abrem-se mais uma vez as portas, desta vez para entrar um miúdo que era um fofo e ia andando e olhando prá esquerda e prá direita, na maior das descontrações. Era, soube depois, o sobrinho do noivo, que levava as alianças. E mais duas miúdas, vestidas de igual.
Os noivos comprimentam as respectivas famílias, no altar mesmo, assinam, virados pra nós. Houve tenor e tudo.
Ninguém sai da igreja, a ordem de saída é a mesma de entrada. À medida que vão saindo da igreja, perfilam-se lado a lado, para o devido corredor. Os noivos passam no fim, naturalmente. O que é um casamento brasileiro, minha gente. O noivo deve ter ficado fantástico, na foto de saída. Não houve rosas, nem arroz.
Saímos também, nós e o resto do povo. Cá fora, houve tempo para um cigarrinho, antes de nos enfiarmos no carro para irmos para a recepção, que foi @qui.
As imagens não são nem um milésimo do que era aquele espaço. Lindo e mais uma vez decorado com o bom gosto de quem tem mas não ostenta. Hollywood feeling, again, again, and again...
Há os tradicionais comes e bebes de entrada e a opção de nos sentarmos à mesa. Cada um se senta onde quer, não há lugares marcados. Ficámos horas a conversar na nossa mesa, as 3, a rir mais e mais, à medida que o champanhe descia, ou subia, já não sei bem... Vinham trazer-nos, a nós e a quem mais optou por se ir sentando, entradinhas boas. E atestar devidamente as flutes de champanhe.
Começou a passar um filme dos noivos no telão e juntamo-nos aos outros, na ante sala, onde era o bar, onde dançaríamos depois.
O filme acabou, o noivo agradeceu, a noiva também e começaram a dançar. Não me lembro que música era mas era boa e não era nenhuma valsa nem nada do género. E eles dançaram um com o outro, logo, sem passarem plos braços dos respectivos paizinhos e mãezinhas, que aliás, dançavam com os respectivos conjuges.
Como assim dançar??? E comer que é bom? Percebemos depois, o jantar era buffet, a gente ficava na fila e os senhores serviam-nos do outro lado. Só podia ser assim, era gente que não acabava mais. Na nossa mesa houve duas levas de pessoas que se sentaram pra jantar. Na 1ª, estava o tom cruise de 1,85m. Nós estavamos tão animadas na conversa que não 'tava nem aí. Na segunda leva, o, vimos depois, Michael Jackson, branco de raiz, super bem disposto. Mais uma vez, não estavamos nem aí.
O champanhe era muito, muito bom, eu não gosto de champanhe, a comida era boa, o tinto argentino melhor ainda.
Estive mais de 4 horas sem fumar, a beber, e nem dei por isso. Depois do jantar, sim, é sagrado.
O holandês charmosão também lá estava. Bastaram dois olhares para que se viesse juntar a nós.
Dançámos, bebemos morangoskas feitas ali à nossa frente, com morangos, que brilhavam dentro da taça de vidro, açúcar e absolute vodka.
Estavamos felizes, muito felizes. A conversa tinha sido boa, animada e inspiradora. A música estava óptima, o ambiente melhor ainda. I have a feeling, that tonight's gonna be a good night... Os senhores não paravam de passar com garrafas de champanhe e eu tive de fazer um esforço para aceitar cada taça que me ofereciam.
Estava feliz, acima de tudo, pela minha amiga Elaine. O meu marido rico só teve olhos pra ela. E, caramba, se havia mulherada em volta dele, o tempo todo. Eram às dúzias. Pareciam abelhinhas em volta do mel. A minha amiga Elaine, discreta e na dela, conquistou o holandês charmosão com meia dúzia de palavras, em voz doce e baixinha. Coisa linda de se ver...
A festa foi linda, a família do noivo é linda e a mãe e irmã uma simpatia que só visto. A beleza está directamente ligada à felicidade. Era isso que se via na cara da irmã e da mãe do noivo, e dos próprios noivos. E dos amigos dos noivos, mas acho que era mais por conta de umas misturas do demo de vodka com red bull...
Quem dançava na pista eram homens, só homens. Não sei onde raio se enfiaram as mulheres mas a verdade é que eram os homens que dominavam a pista. Um consolo.
Passámos a parte do bouquet, já apanhei dois, já me chegou.
Encontros estratégicos e imediatos cá fora, na rua, o único sítio onde se podia fumar. Devo ter fumado uns 5 cigarros o casamento todo, que acabou às 6 da manhã...
O Tom Cruise de 1,85 é de origen italiana, chama-se Marcelo e estava desgostoso. Muito desgostoso. Aproveitei para enfiar o pé na jaca, como se diz por aqui.
Você é de Portugal?
Sou, portuga de gema, disse, no meu melhor sotaque lisboeta.
E lá vocês gostam de que tipo?
Do teu tipo!
É? Tipo assim altão?
Do teu tipo, filho. [Pouco faltou pra lhe perguntar se era ceguinho...]
Cara, preciso ir pra lá.
Vai, filho, vai. Vais fazer um sucesso!
Homem que fala italiano e mulher que fala francês..., diz uma moça que estava connosco...
Foi o suficiente: tu falas italiano e eu falo francês, boa?
Só olhou pra mim, nem me respondeu.
A moça fugiu imediatamente e ele chamou-a, como pôde, como conseguiu, com o braço, para enfatizar. Os desgostos de amor entaramelam-nos a língua...
Tás com medo? Eu não mordo...
Não?
Não, quer dizer...
Aproveitou que a moça chegou e disse: vou entrar, vocês vão entrar também, né?
Sim, filho...
Há 2 dias















